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Século XXI é a revolução do cinema nacional

Mais do que celebrar as quatro indicações de "O Agente Secreto" ao Oscar e de fotografia de Adolpho Veloso por "Sonho de Trem", o dia revela cxomo o cinema brasileiro está evoluindo.

Desde "Central do Brasil", nunca a sétima arte ficou tão em voga no cenário internacional como agora. "Ainda Estou Aqui" foi o pontapé para esse grande momento do cinema nacional. E agora, Kleber Mendonça Filho segue a mesma dicotomia de Walter Salles e faz o país se perpetuar num setor que, para muitos, ainda é lembrado pelas comédias.

Os mais antigos, claro, vão lembrar de Nelson Pereira dos Santos de "Vidas Secas", "Rio 40 Graus" e Memórias do Cárcere"; Glauber Rocha de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe". Clássicos e que foram primordiais para que o cinema brasileiro fizesse sua forma e luz de hoje.

Contar a história do cinema nacional é mais do que passar por décadas de bons e maus momentos. É dizer a evolução de uma forma de celebrar a vida e os momentos políticos, econômicos e sociais pela Grande Tela.

Viver a onda de "Ainda Estou Aqui" e "O Agente Secreto" é viver como os nossos diretores estão capacitados para fazer grandes obras de níveis internacionais. Mais do que as indicações e vitórias em festivais, é uma forma de dizer que o setor está reagindo ao ostracismo de grandes obras e de sucessos.

Obviamente que os filmes de comédia ainda são bastante vistos pela população, mas esses roteiros mais pensantes, autorais e que instigam o espectador a pensar em que país estamos vivendo e no que podemos fazer para melhorar vale mundo para explorar a história da nação.

"Aquarius" e "Bacurau" são outros filmes que podem estrar nesta lista, mesmo que não tenham feito o sucesso internacional dos demais. São obras belíssimas e de enredos para se discutir em várias e várias gerações.

Se dos clássicos ainda se mostram nas salas de aula, porque não dizer que o século XXI é a revolução do cinema nacional, com filmes de primeira linha e de formas de pensar como estamos vendo o Brasil de hoje e o que queremos para o Brasil do futuro.

"Retratos Fantasmas", o novo longa em produção de Kleber, tem grande chance de seguir o mesmo lastro. E estamos na torcida para que sim, mesmo não ganhando Oscar ou Globo de Ouro, Veneza ou Cannes, é a prova de que o cinema brasileiro está de volta ao auge de brigar com os filmes de todo o mundo.