A sequência recente de casos de violência contra a mulher na região de Campinas reforça o que já é apontado pelas estatísticas e profissionais da rede de atendimento: a violência de gênero segue em escalada inexorável, cada vez mais grave e recorrente.
Os casos de feminicídio consumado, tentativas de assassinato, agressões em espaços públicos e violência doméstica reiterada expõem uma realidade que ocorre em qualquer classe social e local do País. Frequentemente, o agressor é alguém próximo da vítima, um companheiro ou ex-companheiro, reforçando o caráter estrutural da tragédia e a dificuldade de rompimento desse ciclo de violência.
Campinas e as cidades que integram a região dispõem de redes de proteção compostas por delegacias especializadas, serviços de saúde, assistência social e equipamentos, como os Centros de Referência da Mulher. Porém, a demanda crescente evidencia os limites na capacidade de prevenção, acolhimento e acompanhamento contínuo das vítimas, sobretudo nos casos em que já havia registros anteriores de ameaça ou agressão.
Além do atendimento emergencial, o enfrentamento da violência contra a mulher exige políticas contínuas de prevenção, educação e conscientização. Iniciativas voltadas à desconstrução da cultura de violência de gênero, à identificação precoce de situações de risco e ao fortalecimento da autonomia das mulheres são fundamentais para dirimir a reincidência.