Por: Rosina Bezerra de Mello

George Eliot

Mary Anne Evans (1819-1880) é considerada a romancista britânica mais importante do século XIX, conhecida pelo pseudônimo GEORGE ELIOT. O nome masculino foi adotado para garantir o respeito a suas obras, manter o julgamento de sua ficção isolado de seu já extenso e reconhecido trabalho como tradutora, editora e crítica literária, evitar os estereótipos de gênero da era vitoriana e para separar sua vida privada (considerada escandalosa) de sua produção literária. Sua escrita era tão revolucionária quanto sua vida particular. Ela teve acesso à instrução formal até 16 anos e, após a morte da mãe, ganhou acesso à biblioteca de Arbury Hall, permitindo estudar e aprender de modo autodidata.

Antes de tornar-se romancista, Eliot foi editora-chefe da revista literária 'The Westminster Review', não oficial, para qual escreveu artigos e ensaios. Realizou traduções de filosofia religiosa, social e moral alemã, como "A Vida de Jesus", de David Friedrich Strauss (1846), "A Essência do Cristianismo", de Ludwig Feuerbach (1854); e traduziu do latim para o inglês "Ética" de Spinoza.

Os temas mais recorrentes foram influenciados pelo pensamento alemão das traduções; por intelectuais com quem conviveu, por exemplo, Herbert Spencer e Ralph Waldo Emerson; por autores prediletos como, Thomas Carlyle e John Stuart Mill, sempre afastando-se da ortodoxia cristã e moldando suas ideias sobre posição da mulher, guarda dos filhos, trabalho, dever, compaixão e a evolução do EU, regras de conduta moral da sociedade vitoriana, configurações familiares tradicionais e a idealização da parentalidade como não dominação, questionando a sociedade inglesa do século XIX. Ela desenvolveu o método da análise psicológica característica da ficção moderna.

Ao longo de sua carreira, a linguagem de Eliot foi politicamente astuta, ácida e irônica. De 'Adam Bede' a 'O Moinho às Margens do rio' e 'Silas Marner', Eliot apresentou os casos de marginalizados sociais e perseguição em pequenas cidades, adotando uma estética realista inspirada na arte visual holandesa. Após o sucesso de Adam Bede (1859), sua identidade foi revelada; 'Felix Holt, o Radical' e 'A Lenda de Jubal' crítica política; e, a crise política está no centro de 'Middlemarch' (1874), apresentando as histórias dos habitantes de uma cidade rural inglesa na véspera da Lei da Reforma de 1832; o romance é notável por sua profunda perspicácia psicológica e sofisticados retratos de personagens. É considerada uma das maiores obras da literatura inglesa; Romola, um romance histórico do séc. XV, foi baseado na vida do padre italiano Girolamo Savonarola. Em A Cigana Espanhola, Eliot fez uma incursão na poesia. Seu lado autobiográfico revelou-se em Looking Backwards, parte da última obra publicada, Impressions of Theophrastus Such.

Grande parte de sua prosa foi extraída da própria experiência. Destaque: sua obra foi lida e muito apreciada pela Rainha Victória, que mandou pintar cenas de 'Adam Bede'.

Rosina Bezerra de Mello é doutora em estudos literários e professora