Por: Paulo César de Oliveira*

A guerra que não acaba

Não foi nem uma, nem duas vezes que disse que a guerra no Oriente Médio não vai acabar e que o presidente Trump — que no sábado sofreu um atentado — é o grande responsável por ter alimentado o ataque ao Irã e agora está sem saber como sair. A situação política interna se agrava para o presidente que, com alto nível de desaprovação, enfrentará uma eleição interna, agora em novembro, para a renovação de toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado.

Trump corre o risco de perder a frágil maioria legislativa que sustenta seu governo e passar o restante do mandato- que termina em janeiro de 2029- com minoria legislativa, o que representa séria ameaça à sua permanência no cargo. Trump é hoje não há como negar, um político acuado. Começou a manifestar sua convicção de ser um predestinado dono do mundo, ameaçando anexar a Groenlândia e até o Canadá, sob pretexto de assegurar a integridade do território americano.

Depois, a pretexto de conter o tráfico de drogas para seu país, invadiu a Venezuela, prendeu Maduro — talvez a única coisa certa que fez — e dominou o petróleo do país, o que parece ter sido o objetivo real. Fez várias ameaças a outros países, criou tarifaços e finalmente, associado a Israel, iniciou, sem comunicar a outros aliados, a guerra contra o Irã que se alastrou envolvendo vários outros países. Trump e Israel, seu aliado por conveniências, se deram mal.

A verdade é que, como praticamente todo o resto do mundo, desconheciam o poder bélico do Irã e a disposição de luta de seu povo. Encontraram uma resistência não esperada e que não sabem como vencer, sem o extremismo de uma guerra nuclear que acabe com a civilização.

Trump, neste momento, é um homem acuado. Externamente não consegue vencer uma guerra que dizia ser questão de dias. Internamente corre o risco de ser derrotado nas urnas. Inseguro e fanfarrão, vê aliados tradicionais se afastando e se já não sabe não sabe como vencer a guerra, não sabe também como perdê-la. O Irã o desafia abertamente e até já se recusa abertamente a negociar com representantes americanos. Impõe uma derrota moral a um adversário sabidamente mais forte em termos bélicos, mas enfraquecido politicamente.

Observadores internacionais, aliados e adversários internos já sentem as disposições de Trump de pôr um fim a esta guerra, deixando para seus aliados a responsabilidade para buscar saídas para as suas consequências econômicas, argumentando que não foram parceiros na solução da crise mundial gerada com o fechamento do Estreito de Ormuz. Mas tudo que diz respeito ao comportamento de Trump é especulação. Dele se pode esperar tudo.

*Jornalista e diretor-geral da revista Viver Brasil