O livro de memórias de Guilherme Afif Domingos, ''Juntos Chegaremos Lá", deveria ser distribuído entre estudantes, empreendedores e iniciantes na vida pública. A exemplar dedicação à causa de uma livre empresa, democratizada, como geradora de emprego, renda e construção de uma sociedade próspera e feliz, merece ser conhecida, reconhecida e exaltada.
São décadas de uma luta movida a ideal, civismo e uma incrível vocação de servir à sociedade, sem prejuízo de responsabilidades como empresário, líder de classe e homem público com admirável acervo de conquistas. Trajetória que reuniu admirações de todos os lados, pois é ator relevante, desprovido de ambições e vaidades.
Ocupou cargos relevantes no governo de São Paulo e no federal. E como parlamentar, formou entre os mais destacados na Constituinte e de bom senso, como Roberto Campos, Antônio Carlos Konder Reis, Ricardo Fiúza e Roberto Cardoso Alves.
Detalhe raro no universo político brasileiro é ter servido sempre ao interesse nacional e não aos governos. Homem cordial e educado, sem abrir mão de suas convicções, aceitou convites para ocupar cargos em diferentes governos, mostrando que, acima de tudo, estava o brasileiro - c aso semelhante ao do governador Tarcísio de Freitas, que de diretor-geral do DNITT, de Dilma, foi destacado ministro no governo passado e hoje é eficiente governador de São Paulo. AfIf nunca se envolveu em polêmicas, reagindo com elegância quando vítima do jogo baixo da política. Em 1989, foi candidato a presidente da República, tendo sido mais votado do que políticos tradicionais, como Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves.
Na presidência da Associação Comercial de São Paulo, na federação paulista e da Confederação das Associações Comerciais, deu voz à pequena e média empresa, a fim de dar cobertura aos importantes projetos que tornou possível. Foi vice de Paulo Maluf, a quem sucedeu e teve como seu vice-presidente Romeu Trussardi, que fez sucessor.
Neste momento em que vivemos crescente decepção com a classe política, que é a sustentação de um regime político e econômico livre, o exemplo deste brasileiro pode estimular a volta à política de homens formados na iniciativa privada, de bem, nas novas gerações. Convém lembrar de uma seleção de empresários que exerceram mandatos em São Paulo, como Brasílio Machado Neto, Herbert Levy, Horácio Lafer, José Maria Whitaker, Cunha Bueno e Ernesto Pereira Lopes, entre outros. Todos relevantes em seus mandatos.