Por: Sérgio Cabral*

O meu Rio II

Pão de Açúcar, Bem Tombado da cidade do Rio de Janeiro | Foto: Reprodução

Em 1763, Salvador deixou de ser a sede do Brasil colonizado pelo império português e o Rio passou a ser a nova sede.

Isso se deveu, fundamentalmente, ao ciclo do ouro em Minas Gerais e ao declínio da produção de açúcar no nordeste brasileiro. O valorizado minério estava em Minas, e o Rio era o principal hub para exportação a Portugal de nossas riquezas assaltadas pelos lusitanos colonizadores.

Em março de 1808, o príncipe regente Dom João VI chegou ao Rio de Janeiro com toda a corte portuguesa.

Isso aconteceu porque Portugal estava sendo invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte.

O Império português passou a funcionar no Rio.

Em 1815, o Rio se tornou formalmente a sede do império do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.

Em 1822, Pedro I declarou a independência do país, e com isso o Rio foi a sede do primeiro império tropical das Américas.

Em 1889, houve o golpe dado pelos militares e alguns civis em Pedro II e nasceu a República brasileira, cuja sede foi o Rio, mais uma vez.

Em 1960, Juscelino Kubitscheck, num misto de desejo desenvolvimentista pela expansão e ocupação do interior do Brasil e traumatizado com as reiteradas tentativas de golpe pelos militares incitados por parte da imprensa do Rio, transferiu a capital para Brasília.

Em seguida, foi criado o Estado da Guanabara. Pela primeira vez o carioca votaria para o chefe executivo local. Foram três governadores da cidade-estado Guanabara: Carlos Lacerda (1963-1966) e Negrão de Lima (1967-1970) eleitos pelo voto direto, e Chagas Freitas eleito pelos deputados da Assembleia Legislativa da Guanabara, consequência da decisão do regime militar que acabou com as eleições diretas e criou esse formato de eleição indireta para todos os estados brasileiros.

Em 1975, os militares impuseram a fusão do estado do Rio de Janeiro, cuja sede era em Niterói, com o estado da Guanabara. Isto é, na prática todos os municípios do antigo Estado do Rio se fundiram com a cidade do Rio, que se tornou a capital do novo estado.

De 1975 a 1978, o governador foi indicado pelo regime militar sob o pretexto de implementar a fusão dos dois estados. Em 1978, ainda no modelo militar de escolha pelas Assembleias Legislativas, Chagas Freitas se elegeu na Alerj governador do Estado do Rio.

Em 1982, a primeira eleição direta para governador do estado. Deu Brizola. Em 86 Moreira Franco, em 90 Leonel Brizola, em 94 Marcello Alencar, em 98 Garotinho, em 2002 Rosinha, em 2006 e 2010 esse modesto escriba, em 2014 Pezão, em 2018 Witzel, em 2022 Cláudio Castro e, em 2026…

Ah, meu Rio, que tanto amo, de tanta potência de seu povo trabalhador e tão carente de lucidez na perspectiva de retornar a ser o que foi de 2007 a 2014. Quando o Rio era referência de políticas públicas e atração de eventos e investimentos privados.

Que Deus nos abençoe.

*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho