O xadrez político fluminense já começou a se mover — e suas peças impactam diretamente o cotidiano dos municípios. Com a aproximação das eleições de 2026, as saídas de secretários estaduais e municipais de seus cargos para disputar vagas no Legislativo ou no Executivo redesenham não apenas o cenário político, mas também a condução administrativa de diversas cidades.
Em Petrópolis, a movimentação é ainda mais sensível. Vive-se a expectativa de um possível número recorde de candidatos com base eleitoral na Cidade Imperial. Isso pode representar maior representatividade e força política, mas também levanta dúvidas: até que ponto a pulverização de candidaturas fortalece ou fragmenta os interesses do município?
Nomes conhecidos já circulam com força nas rodas de conversa política. Bernardo Rossi surge como um potencial protagonista local, com especulações sobre um desempenho expressivo nas urnas. Por outro lado, figuras como Dr. Luizinho e Gustavo Tutuca aparecem como candidatos com forte estrutura, ainda que vistos por muitos como "estrangeiros" no eleitorado petropolitano — o que não necessariamente impede um bom desempenho, especialmente diante de campanhas bem articuladas.
No cenário nacional, a disputa também começa a ganhar contornos mais definidos. Flávio Bolsonaro tem ampliado sua presença e ????? com o eleitorado, sinalizando uma crescente que anima setores da direita. Já no âmbito estadual, Eduardo Paes enfrenta oscilações em sua trajetória política, enquanto Douglas Ruas avança e passa a ocupar mais espaço nas projeções.
E, claro, uma das perguntas mais recorrentes permanece no ar: Cláudio Castro será candidato? Caso entre na disputa, há quem aposte em um desempenho altamente competitivo, possivelmente figurando entre os mais votados do país, o que reforçaria ainda mais seu peso político no estado.
Em meio a esse cenário de incertezas e articulações, o prefeito Hingo Hammes segue focado na gestão. Com entregas sendo realizadas e desafios significativos, especialmente diante do protocolo de calamidade financeira que ainda impacta o município, sua expectativa está diretamente ligada ao resultado das urnas em outubro.
Isso porque, mesmo não sendo uma eleição municipal, o pleito de 2026 terá influência decisiva sobre os dois anos seguintes da atual gestão. A manutenção de aliados estratégicos no Palácio das Laranjeiras, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e em Brasília pode significar mais do que alinhamento político — pode representar acesso a recursos, apoio institucional e capacidade de reconstrução.
No fim das contas, as eleições de 2026 vão muito além das urnas. Elas representam um divisor de águas para cidades como Petrópolis, que dependem não apenas de boas gestões locais, mas de articulação e força política em todas as esferas de poder.
Nei Carvalho é radialista, apresentador da TV Correio da Manhã e secretário de turismo de Petrópolis