Este mês, dia 27, marca os 94 anos de Bernardo Cabral, que é o que podemos chamar de ilustre brasileiro e reserva ética e moral da nação.
Conhecido nacionalmente como o relator da Constituinte de 88, jurista com passagem na direção da OAB e do Instituto dos Advogados, Bernardo tem carreira política desde a mocidade como deputado estadual no Amazonas, deputado federal e senador, Ministro da Justiça. Teve a carreira interrompida quando perdeu os direitos políticos ao protestar na Câmara dos Deputados contra a edição do AI-5. Seu compromisso com o liberalismo e as leis não permitiu que ele aceitasse o instrumento que suspendia direitos constitucionais em função da ameaça de distúrbios internos e de uma escalada de violência revolucionária. Mas ele o fez com a elegância e a moderação que o fizeram respeitado e admirado por todos os segmentos da sociedade. Patriota e figura humana sem ódios no coração assumiu o espírito da anistia proposta pelo Presidente Figueiredo e nunca formou com ressentidos revanchistas.
Ao lado do homem público, do jurista e do professor, o Brasil tem se beneficiado de uma personalidade de grande cultura, que vem colocando ao serviço do país. Exerce funções de alto assessoramento há mais de 20 anos na Confederação Nacional do Comércio, hoje presidida pelo seu conterrâneo José Roberto Tadros, onde coordena o Conselho de Notáveis que abriga uma seleção de brasileiros que já prestaram e ainda prestam serviços no mundo cultural, empresarial e público do Brasil. Impressiona ainda que, tendo a carreira o levado a morar no Rio e em Brasília, nunca deixou de viver o Amazonas na ação e na presença.
Neste momento em que é lançado precioso livro sobre D. Joao VI, do historiador e pesquisador Paulo Rezzutti, resgatando a personalidade a que devemos à fundação do Brasil livre, em 1815, como Reino Unido a Portugal, vale ler um dos notáveis trabalhos de Bernardo Cabral sobre História do Brasil e seus personagens publicado em 2008 na imprensa manauara, no qual aponta para a qualidade do Rei de Portugal e do Brasil ao afirmar que "sobreviveu como monarca enquanto seus equivalentes em toda Europa eram destronados e humilhados por Napoleão. E completa: "D. Joao VI não era nenhum gênio, mas tampouco um bobalhão".