Por: Pablo Mendonça*

Saúde digital em 2026: quando tecnologia deixa de ser discurso e vira cuidado real

Em 2026, já não faz sentido tratar a digitalização na saúde como uma promessa futura. Ela deixou de ser tendência e passou a ser base estrutural do cuidado, influenciando diretamente a forma como médicos, gestores e pacientes se relacionam com o sistema de saúde. A pergunta central já não é mais se devemos adotar tecnologia, mas como usá-la de forma inteligente para melhorar desfechos clínicos, eficiência operacional e, sobretudo, a experiência humana no cuidado.

Os dados mostram que a infraestrutura básica está, em grande parte, construída. Segundo o Censo Nacional das Unidades Básicas de Saúde de 2025, mais de 94% das UBS já contam com acesso à internet e cerca de 87% utilizam prontuário eletrônico. Na prática, isso significa que a atenção primária já opera em ambiente digital, criando condições reais para coordenação do cuidado, continuidade clínica e decisões mais qualificadas. No âmbito federal, plataformas como o Meu SUS Digital avançam na integração de dados e ampliam o acesso do cidadão às próprias informações de saúde, sinalizando que a agenda pública caminha para consolidar um ecossistema digital mais integrado e funcional. Conectividade, hoje, não é diferencial. É pré-requisito.

Esse movimento não acontece apenas no Brasil. O mercado global de saúde digital vive uma fase de amadurecimento acelerado. De acordo com a Fortune Business Insights, o setor deve alcançar cerca de US$ 491 bilhões em 2026, com projeção de ultrapassar US$ 2,3 trilhões até 2034, impulsionado por taxas de crescimento superiores a 20% ao ano. Esse avanço vai muito além da telemedicina ou dos prontuários eletrônicos. Ele é sustentado pela incorporação da inteligência artificial aos fluxos clínicos, pelo avanço real da interoperabilidade, pelo uso de analítica preditiva no cuidado e pela expansão dos dispositivos de monitoramento remoto. Essas tecnologias deixaram de ser experimentais e passaram a sustentar decisões clínicas, gestão de risco e eficiência operacional.

Nesse cenário, o papel da liderança se torna decisivo. Não há transformação digital sem gestores que compreendam que digitalizar não é apenas implantar sistemas, mas melhorar decisões com dados confiáveis, no tempo certo. Reduzir burocracias libera os profissionais para o que realmente importa: o cuidado com o paciente. A interoperabilidade deixa de ser apenas uma exigência técnica e passa a ser um fator competitivo e de gestão de risco. E o uso de inteligência artificial exige maturidade, com governança de dados, segurança cibernética e processos claros para validar decisões automatizadas. Tecnologia sem confiança não sustenta cuidado.

Na HSMED, essa visão faz parte da estratégia há anos. A digitalização nunca foi tratada como vitrine, mas como meio para organizar processos, integrar informações, dar escala à operação e aumentar a previsibilidade da gestão do cuidado sem perder qualidade. Na prática, isso se traduz em decisões clínicas mais seguras, fluxos mais integrados, consultas mais ágeis e crescimento sustentado por eficiência e coordenação.

Fica cada vez mais evidente que organizações de saúde não fracassam por falta de tecnologia, mas por falta de articulação entre tecnologia, gestão e cultura. Saúde inteligente exige maturidade organizacional, clareza de propósito, governança de dados, capacitação contínua das equipes e decisões orientadas por evidência, não por modismo. É isso que diferencia quem apenas digitalizou processos de quem, de fato, conseguiu transformar tecnologia em cuidado real.

*Pablo Mendonça é autor, consultor,

mentor e CEO na HSMED