No último domingo (25), foi celebrado o aniversário de criação dos Correios e Telégrafos no Brasil. Fundado em 25 de janeiro de 1663, o serviço postal foi o primeiro do país, a partir da criação do cargo de Correios-Mor, função equivalente ao carteiro da época. Mas, 362 anos depois, o que mudou em uma das instituições mais conhecidas da população brasileira?
Os Correios passam por uma ampla reformulação, anunciada pela própria estatal no fim do ano passado. Segundo o governo federal, o plano busca garantir a sustentabilidade financeira e preservar a função pública da empresa. Entre as medidas previstas estão um programa de demissão voluntária, a remodelagem dos custos com plano de saúde, a regularização de pagamentos a fornecedores, além da modernização do modelo operacional e da infraestrutura tecnológica.
O que chama a atenção, no entanto, é que essa tentativa de mudança chega em um momento tardio. Enquanto empresas privadas como Mercado Livre e Amazon revolucionaram o modelo de logística e entregas, os Correios ficaram para trás, acumulando dívidas e perdendo competitividade. Mesmo após um aporte da União estimado em cerca de R$ 20 bilhões, a própria estatal admite que só deve reduzir seu déficit em 2026 e voltar a ter lucro apenas em 2027.
Embora essa crise pareça distante da realidade local, em Petrópolis ela é visível e concreta. Basta olhar para o prédio histórico dos Correios no Centro da cidade: fechado há anos, pichado, com janelas quebradas e sem qualquer previsão de reabertura. O abandono do imóvel é um símbolo claro da situação da empresa. A estatal estima arrecadar cerca de R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis. Fica a pergunta inevitável: o prédio de Petrópolis estará nessa lista?
Enquanto isso, o setor privado segue avançando. O Mercado Livre, por exemplo, registrou em 2025 um lucro operacional de US$ 724 milhões, crescimento de 30% em relação a 2024, impulsionado justamente pela eficiência logística e pelo uso intensivo da tecnologia.
Os Correios têm uma história rica e cheia de marcos importantes, como o lançamento do primeiro selo brasileiro, o Olho de Boi, em 1843, o segundo do mundo. Mas, hoje, a instituição parece ter parado no tempo. E o que exatamente há para celebrar neste domingo? A história, sim. Mas ela sozinha não sustenta o presente, muito menos o futuro.
Em um mundo cada vez mais digital, os Correios se assemelham às cartas: carregam valor afetivo, memória e nostalgia, mas vão sendo aos poucos substituídos pelo imediatismo da tecnologia. Guardadas em gavetas, lembradas com carinho, e cada vez menos usadas.
Richard Stoltzenburg é jornalista e editor do Correio Petropolitano