A população metropolitana do Rio de Janeiro registrou crescimento demográfico de 694.029 pessoas entre os censos de 2000 e 2022, equivalente a 6,12%. Já entre 2010 e 2022, apresentou redução de 220.269 habitantes, cerca de 1,8% da população recenseada em 2010. O que permite dizer que a região metropolitana do Rio entrou na chamada transição demográfica, podendo, inclusive, já no próximo censo, registrar menos de 12 milhões de habitantes, número apurado em 2022.
Há os que enxergam efeitos positivos nessa transição. Uma oportunidade de pisar num freio de arrumação das demandas sociais ainda não atendidas, desconstruindo, quem sabe de forma definitiva, o mito de que expansão demográfica é sinal inequívoco de cidades ou regiões em fase de crescimento pujante. O desacelerar populacional registrado neste quase quarto de século resulta de mudanças no comportamento das pessoas, com impactos diretos no modo de viver no ambiente urbano.
No caso da região metropolitana do Rio de Janeiro, chama atenção o descompasso entre a taxa de crescimento demográfico de 6,1%, equivalente a quase 700 mil pessoas, verificada entre os censos de 2000 e 2022, e a expansão do número de domicílios levantados no mesmo período, que atingiu a marca de 66%. Foram mais de 2 milhões de novos domicílios incorporados aos 3,3 milhões existentes em 2000.
Quer dizer: para cada três domicílios existentes na virada do século, dois novos surgiram em apenas 22 anos. Mesmo com a população metropolitana tendo engatado uma marcha a ré demográfica a partir de 2010, perdendo cerca de 220 mil habitantes, o número de domicílios continuou em expansão, saltando de perto de 4 milhões para mais de 5,5 milhões em 2022. Nesses últimos 12 anos, para cada três domicílios levantados em 2010, surgiu um novo.
A causa mais visível, embora longe de ser a única, é a redução do número de pessoas por domicílio. Em 2000, eram aproximadamente 3,4 pessoas por unidade. Em 2010, caiu para três e, em 2022, despencou para algo em torno de 2,2 pessoas, bem abaixo da média nacional apurada no último censo. Para quem, há 50 anos, vivia em domicílios que abrigavam em média cinco pessoas, fica fácil constatar o quanto o jeito de viver e de morar mudou. As cidades precisarão se ajustar a essa nova realidade e às suas distintas e, paradoxalmente, crescentes demandas.
Seja por conta do aumento da expectativa de vida da população — também presente na região metropolitana do Rio, onde o crescimento da população com 65 anos ou mais foi da ordem de 90% no período analisado, atingindo um patamar quase 15 vezes superior ao da população total —, seja em razão da redução da taxa de natalidade, ou ainda do crescimento do número de pessoas vivendo sozinhas, entre outras causas, percebe-se o quanto o comportamento social pode alterar a base física das cidades, tanto quantitativa quanto qualitativamente.
O fato é que, mesmo já inseridas na chamada transição demográfica, as cidades, inclusive as localizadas em regiões metropolitanas, tendem a continuar crescendo fisicamente, buscando se adaptar às novas formas de vida da população. O desafio está em fazer dessa expansão, a princípio inevitável, uma oportunidade de melhorar as condições de vida praticadas no cenário urbano brasileiro.
*Arquiteto e Urbanista