Por: Arnaldo Niskier*

Diálogos que atravessam os séculos

Sou membro da Academia Brasileira de Letras há 41 anos. Quando me perguntam para que servem as Academias de Letras, o primeiro pensamento que me ocorre é relativo aos objetivos de sua existência. A marca notável das Academias está sintetizada na palavra convívio, o que implica a renúncia a personalismos ou ao exercício de atitudes de arrogância ou prepotência. Um bom convívio tem como alicerce o diálogo.

Como educador, pedagogo, filósofo, jornalista, apresentador e sobretudo como Acadêmico, tive o privilégio de conviver e dialogar com os maiores expoentes da vida cultural brasileira. Pensando em todos com quem convivi dentro e fora da ABL - Rachel de Queiroz, Ariano Suassuna, José Saramago, Clarice Lispector, Carlos Drummond, Nelson Rodrigues, Di Cavalcanti, só para citar alguns -, e todos que me antecederam e com quem não pude dialogar, surgiu-me uma ideia. E se fosse possível uma troca de experiências, ou, melhor dizendo, um diálogo com aquele que é considerado o maior dos imortais e grande cronista de seu tempo, Machado de Assis?

Meu mais novo livro, intitulado Arnaldo Niskier e Machado de Assis - Diálogos, colige cinquenta e cinco textos que escrevi entre 1984 e 2024, selecionados a partir de excertos de Machado. Para cada texto meu, uma citação machadiana que serve de mote e norte de leitura. O caráter universal da obra de Machado de Assis nos permite recontextualizar seus escritos e situá-los na realidade contemporânea do século XXI, sem com isso lhes desvirtuar o sentido e a pertinência.

Os diálogos engendrados neste novo livro convidam o leitor a refletir sobre questões essencialmente humanas, sobre questões comuns da vida em sociedade e sobre os desafios do mundo de ontem e de hoje.

É esta, em suma, a proposta: oferecer possibilidades diversas de leituras e releituras à luz dos nossos dias e dos tempos que virão.

*Escritor. Membro da Academia

Brasileira de Letras