Pouca gente sabe que a Praia de Copacabana tem espaço para abrigar os dois milhões e meio de pessoas para a grande festa da virada do ano graças a um projeto de origem portuguesa. A Avenida Atlântica, nos seus seis quilômetros, tinha uma pista de mão dupla de oito metros em 1965, o que dificultava o acesso a Ipanema e Leblon. A faixa de areia para uso de banhistas também era diminuta em boa parte de sua extensão. Eleito Governador da Guanabara, o sr. Negrão de Lima, em 1965, vindo de ocupar a Embaixada do Brasil em Lisboa, tratou logo de resolver o problema e foi buscar no Laboratório de Engenharia Civil de Lisboa o apoio técnico para a grande obra. Nos cinco anos de seu mandato, fez a reforma que mudou a vida da cidade. Negrão de Lima ligou-se tanto a Portugal que recebeu doação de 500 mil dólares para a construção de uma escola de Belas Artes da Fundação Gulbenkian, então presidida por seu amigo Azeredo Perdigão. Em 1974, já fora do governo, acolheu o Professor Marcelo Caetano e o indicou para dar aulas na Universidade Gama Filho. Negrão de Lima foi do Conselho do Grupo Grão Pará de sua amiga Fernanda Pires da Silva.
Negrão de Lima foi dos mais completos homens públicos da República. Muito jovem, foi constituinte em 34, depois foi chefe do gabinete do genial ministro Francisco Campos, tido na época como um dos mais preparados brasileiros, jurista admirado.
O Rio muito lhe deve, pois, governador eleito da Guanabara, e fazer grande gestão, removeu as favelas do entorno da Lagoa e Humaitá. O Shopping Leblon, por exemplo, foi construído na Pedra do Baiano, que era ocupada por cerca de 150 barrados. Completou a grande obra do Guandu iniciada e com primeira fase na gestão de Carlos Lacerda. Também completou o Aterro do Flamengo iniciado quando prefeito, boa parte tocada por Lacerda e completado por ele.
Exemplar austeridade pessoal, formou equipe de notáveis como Cotrim Neto, Hildebrando Marinho, Antônio Vieira de Melo, João Augusto Penido, Luiz Alberto Bahia, Álvaro Americano e outros.
Ele foi prefeito nomeado por JK, ministro da Justiça de Vargas e chanceler de JK. Um gigante, um exemplo a não ser esquecido.