Por: Barros Miranda*

Desafios do Itamaraty em 2026

Em 2026, a política externa brasileira enfrenta um conjunto de desafios complexos que exigem equilíbrio, pragmatismo e visão de longo prazo. O cenário internacional segue marcado por tensões geopolíticas, rivalidades entre grandes potências e instabilidade econômica, o que reduz o espaço para posições simplistas e aumenta o custo de erros diplomáticos. Para o Brasil, país de dimensões continentais e interesses diversos, o principal desafio é transformar seu peso potencial em influência real.

Um dos eixos centrais é a necessidade de manter autonomia sem isolamento. O Brasil precisa dialogar com diferentes polos de poder, como Estados Unidos, China e União Europeia, evitando alinhamentos automáticos que limitem sua capacidade de negociação. Essa postura requer diplomacia profissional, coerência entre discurso e prática e clareza sobre prioridades nacionais, algo nem sempre presente em contextos de polarização política interna.

Outro desafio relevante está ligado à agenda ambiental. A preservação da Amazônia e o compromisso com o desenvolvimento sustentável tornaram-se temas incontornáveis da política externa. Em 2026, o Brasil é cobrado não apenas por promessas, mas por resultados concretos. Ao mesmo tempo, o país precisa evitar que a pauta ambiental seja usada como barreira disfarçada ao comércio, defendendo seus interesses econômicos sem comprometer a credibilidade internacional.

No campo econômico, a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor continua limitada. Ampliar acordos comerciais, modernizar o Mercosul e diversificar parcerias são tarefas urgentes, especialmente diante de um mundo mais protecionista. Isso exige coordenação entre política externa e política industrial, além de diálogo com o setor produtivo e a sociedade.

Por fim, há o desafio de recuperar e fortalecer a imagem internacional do Brasil como ator confiável e construtivo. Isso passa por defender o multilateralismo, investir na cooperação Sul-Sul e valorizar a tradição diplomática brasileira. Em 2026, mais do que escolher lados, a política externa do Brasil precisa escolher estratégias inteligentes para promover desenvolvimento, soberania e relevância internacional.

*Historiador e Jornalista