Por: Ricardo Couto de Castro*

2026 em movimento: modernizar para aproximar

Presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto | Foto: TJRJ

2026 será um ano de conclusão de um ciclo estratégico. Para a sociedade, o que importa é ser atendido com respeito, ter o conflito resolvido em prazo razoável e perceber que a Justiça está presente também onde a vida acontece, do centro urbano ao interior.

Nossa perspectiva para 2026 se resume em uma ideia simples: modernizar para aproximar. A migração gradual para um processo eletrônico mais integrado, com entrada de novos casos em ambiente digital e transição planejada, é parte desse caminho. A tecnologia, porém, não é fim em si mesma. Ela precisa virar tempo devolvido ao cidadão — e tempo, no Judiciário, é dignidade.

Por isso, inteligência artificial e automação devem ser tratadas como ferramentas de apoio ao trabalho humano, não como atalhos. Em 2026, ampliaremos soluções que auxiliem tarefas repetitivas, organizem informações e melhorem fluxos, com governança e controle. O objetivo é elevar qualidade e produtividade sem perder o essencial: decisões responsáveis, bem fundamentadas e compreensíveis.

Modernizar também significa abrir novas portas de acesso. O atendimento digital, com linguagem simples e múltiplos canais, amplia a presença do Tribunal para além do balcão físico. E a presença territorial continua sendo prioridade: justiça itinerante, ações em grandes eventos e iniciativas voltadas à população em situação de rua reafirmam que o direito não pode depender de endereço, renda ou familiaridade com sistemas.

Há, ainda, um ponto decisivo: reduzir o conflito antes que ele se torne um processo. Em 2026, fortaleceremos a cultura do acordo, com soluções pré-processuais e conciliação qualificada. Quando o diálogo é possível, a melhor sentença é aquela que não precisa ser escrita — porque o entendimento, construído com segurança e equilíbrio, resolve mais rápido e preserva relações.

Ao mesmo tempo, eficiência exige inteligência institucional. Monitorar padrões de litigância, identificar demandas predatórias e promover uniformização de entendimentos não é apenas gestão: é proteção do sistema para que ele não seja capturado por abusos e possa focar no que realmente importa. Dados e transparência, nesse cenário, deixam de ser relatórios e se tornam bússola.

Tudo isso ocorre em um ambiente de restrição fiscal que exige escolhas. Para 2026, nossa visão é gastar melhor, planejar com rigor e investir onde há retorno social.

Sustentabilidade também entra nessa conta: economia de energia, ampliação de geração limpa e redução de papel não são só agenda ambiental — são eficiência e responsabilidade com recursos públicos.

O TJRJ olha para 2026 com um compromisso: manter os pés no chão e o olhar no cidadão. A Justiça do futuro não será a mais tecnológica, e sim a mais confiável, acessível e humana. E esse futuro se constrói agora, com cooperação entre instituições e participação de toda a sociedade.

*Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ)