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RS mapeia os recursos minerais disponíveis

O Rio Grande do Sul produziu mais de R$ 2,8 bilhões em recursos minerais em 2023 e ocupa a nona posição no país, conforme nota técnica do Departamento de Economia e Estatística, da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). O material reúne dados sobre reservas, produção e inserção em cadeias ligadas à transição energética.

O estado concentra 90% das reservas nacionais de carvão mineral e mantém atividades em segmentos como rochas britadas, calcário, areia e água mineral.

A nota também indica os projetos estaduais voltados a insumos agrícolas, como o Fosfato Três Estradas, em Lavras do Sul.

Há pesquisas sobre terras raras em Caçapava do Sul, com identificação de rochas com alta concentração desses elementos.

No Brasil, esses minerais representam cerca de 19% das reservas conhecidas, mas a participação na produção global ainda se restringe a 0,04% do total.

O carvão segue como um dos principais ativos do estado, mesmo fora da lista federal de minerais críticos e estratégicos.

Iniciativas como o Plano de Transição Energética Justa buscam integrar desenvolvimento, inovação e mitigação de impactos sociais. O Brasil concentra 98% das reservas mundiais de nióbio e possui matriz elétrica com cerca de 88% de fontes renováveis.

Esse contexto favorece a inserção em cadeias produtivas ligadas à energia de baixo carbono.

Estratégias como o friendshoring e o powershoring são citadas na análise, voltadas à cooperação com parceiros e à atração de ações intensivas em energia limpa.

A nota técnica também menciona políticas públicas, como o Programa Mineração para Energia Limpa e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), voltadas ao mapeamento geológico e ao fortalecimento do setor.

No estado, está em elaboração o Plano Estadual de Mineração, que busca organizar a atividade e conectá-la a agendas de inovação e desenvolvimento. Outra frente envolve o Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrogênio Verde, que relaciona matriz renovável, recursos minerais e novas cadeias.

O estado também conta com estrutura logística, como o Porto de Rio Grande, utilizada no escoamento da produção.

O levantamento destaca ainda parcerias entre governo, universidades e empresas para pesquisa aplicada. Entre os exemplos estão estudos sobre reaproveitamento de resíduos da mineração de carvão e análise de materiais gerados por drenagem ácida.

O conjunto de dados indica a presença de recursos, a infraestrutura energética e as iniciativas de pesquisa ligadas à transição energética no Rio Grande do Sul.