Um curativo capaz de identificar o tipo sanguíneo em até dois minutos, sem a necessidade de exames laboratoriais, está na fase final de testes no Paraná.
A tecnologia foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e busca auxiliar nos atendimentos de emergência, principalmente em locais sem estrutura clínica.
A solução permite reconhecer o sistema ABO e o fator Rh de forma rápida, diretamente no local do atendimento. O dispositivo utiliza anticorpos aplicados em um material semelhante a um curativo comum. Ao entrar em contato com o sangue, o produto forma letras e sinais que indicam o grupo sanguíneo.
A leitura é feita de forma visual, o que dispensa equipamentos e pode ser realizada por profissionais sem especialização na área. A equipe responsável trabalha na etapa de validação, com testes voltados à verificação da confiabilidade dos resultados.
O objetivo é garantir precisão na identificação antes de avançar para a produção em escala. Após essa fase, a proposta é firmar parceria com o setor industrial para ampliar a oferta do produto.
A iniciativa foi uma das finalistas do Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), voltado ao apoio de pesquisas com potencial de aplicação prática.
A proposta recebeu R$ 181 mil na edição de 2024.
O programa é realizado pela Fundação Araucária em parceria com a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e o Sebrae-PR.
O projeto parte de um cenário em que cerca de 40% da população brasileira não sabe qual é o próprio tipo sanguíneo.
Em situações como acidentes com hemorragia, a informação é essencial para a realização de transfusões compatíveis em tempo adequado. A ausência desse dado pode comprometer o atendimento imediato.
A tecnologia também foi pensada para uso em ambulâncias e atendimentos pré-hospitalares.
Em regiões remotas ou de difícil acesso, onde não há suporte laboratorial, a identificação rápida pode auxiliar na tomada de decisão e reduzir riscos durante procedimentos emergenciais.
Para aumentar a precisão, os pesquisadores utilizam nanopartículas de ouro associadas aos anticorpos. Esse recurso intensifica a visualização dos resultados no material coletado, facilitando a interpretação final.
Além do curativo, a equipe desenvolveu um kit complementar com sistema de coleta e aplicação. O Prime oferece, na edição de 2026, 150 vagas na etapa inicial e prevê até R$ 2 milhões em recursos para os projetos finalistas, com limite de R$ 200 mil por proposta.
As inscrições são gratuitas e seguem até o dia 22 deste mês.
O resultado da primeira fase será divulgado a partir do próximo dia 29, e as atividades começam em 6 de maio.
Criado em 2021, o programa já reuniu 369 participantes e busca aproximar a produção acadêmica das demandas do setor produtivo. A iniciativa é voltada a pesquisadores e empreendedores interessados em desenvolver soluções com potencial de mercado e aplicação direta na sociedade.