Por: Mateus Lincoln - BSB

Iphan reconhece parceria entre pescadores e botos no Sul do Brasil

Cetáceos cercam cardumes e indicam quando lançar a rede | Foto: Divulgação/Iphan

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o registro da prática cooperativa entre pescadores artesanais e golfinhos no litoral da Região Sul como Patrimônio Cultural do Brasil.

A decisão foi tomada no segundo dia da 112ª Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão deliberativo da instituição. O reconhecimento inclui comunidades costeiras de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e foi inscrito no Livro dos Saberes.

A atividade ocorre principalmente na foz do Rio Tramandaí, no litoral norte gaúcho, e no complexo lagunar de Laguna, em território catarinense. Nesses locais, os animais cercam cardumes de tainha próximos à margem e indicam o momento adequado para o lançamento das redes. Parte dos peixes é capturada pelos trabalhadores do mar, enquanto outra parcela permanece disponível para os próprios cetáceos.

Segundo o instituto responsável pelo registro, a prática reúne conhecimentos transmitidos entre gerações e expressa modos de vida associados ao litoral.

O processo de reconhecimento considerou estudos científicos, registros históricos e a relação estabelecida entre comunidades locais e o ecossistema.

Entre as iniciativas que contribuíram para a documentação está o projeto "Botos da Barra do Rio Tramandaí", criado em 2015 pelo Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisas também foram realizadas por grupos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), além de equipes reunidas no projeto Gephyreus.

O parecer técnico apresentado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima destacou a dimensão histórica e socioecológica da atividade.