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UFSC lidera mapeamento sobre agressores de mulheres

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participou da elaboração do Relatório do Mapeamento Estadual 2025 sobre Grupos Reflexivos e Responsabilizantes destinados a homens autores de violência contra mulheres em Santa Catarina.

O estudo foi desenvolvido em parceria com o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) e apresenta um panorama das iniciativas existentes no estado.

O levantamento identificou 51 grupos em funcionamento em 41 comarcas, com atuação em 65 municípios. Os encontros são voltados a homens encaminhados pelo sistema de Justiça em casos de violência doméstica.

As atividades ocorrem em reuniões estruturadas que abordam temas relacionados a relações de gênero, masculinidades e responsabilização por agressões.

A participação pode ser determinada por decisão judicial e funciona como medida complementar às ações previstas na legislação de proteção às vítimas.

De acordo com o relatório, quase 1,4 mil participantes passaram pelas atividades ao longo de 2025. Desde 2020, início da série histórica analisada pela pesquisa, foram registrados cerca de 7,8 mil atendimentos.

Os dados também indicam crescimento no número de grupos ativos no estado. O total passou de 46 para 51 unidades em comparação ao ciclo anterior, um aumento de 8,7%.

O levantamento foi coordenado pelo professor Adriano Beiras, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da UFSC. A iniciativa envolve pesquisadores do grupo Margens, vinculado ao Departamento de Psicologia da universidade, além da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID) do TJSC.

O mapeamento busca acompanhar o funcionamento dessas iniciativas e identificar necessidades de aprimoramento.

A pesquisa também aponta novos projetos em fase de implantação no estado, alguns organizados por meio de articulação entre municípios, o que indica possibilidade de ampliação dessas ações em diferentes regiões.

Conforme divulgado pela instituição, a produção do estudo envolve estudantes de pós-graduação da UFSC e profissionais ligados ao Judiciário. A equipe realiza levantamentos periódicos para reunir informações sobre funcionamento, alcance e organização das atividades.

Os dados ajudam a orientar decisões institucionais e a avaliação de políticas voltadas à prevenção da violência doméstica no estado e à qualificação das ações voltadas ao acompanhamento dos participantes.

Além das análises estaduais, o grupo de pesquisa também conduz estudos em escala nacional.

Dois levantamentos sobre a presença de grupos reflexivos no país já foram concluídos e um terceiro está em fase de implementação em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Os encontros integram a política judiciária de enfrentamento à violência doméstica e buscam estimular reflexão sobre comportamentos e incentivar mudanças de conduta entre participantes encaminhados pela Justiça.