Um estudo arqueológico indica que povos sambaquianos que viveram na região da Baía Babitonga, no litoral de Santa Catarina, caçavam baleias há cerca de 5 mil anos. A conclusão se baseia na análise de sambaquis e de peças do acervo do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (SC) e contraria a interpretação anterior de que essas populações apenas aproveitavam carcaças de animais encalhados.
A pesquisa foi conduzida pelo arqueólogo André Colonese, da Universidade Autônoma de Barcelona, com participação de equipes do museu joinvilense.
O artigo científico com os resultados foi publicado na revista Nature. Os dados apontam que a prática identificada é mais antiga do que registros semelhantes em áreas do Ártico e Subártico, considerados até então os mais antigos centros de caça de baleias.
Os pesquisadores examinaram materiais provenientes de 17 sambaquis da Baía Babitonga e mais de 100 amostras preservadas no museu. Para identificar as espécies exploradas, foram utilizadas análises zooarqueológicas, tipológicas e moleculares em ossos e artefatos.
Parte do trabalho envolveu espectrometria de massa, técnica que permite reconhecer a espécie animal a partir do colágeno presente nos restos ósseos.
O levantamento resultou em 41 novas datações dos materiais estudados. Entre os vestígios identificados estão ossos de baleia-franca austral, além de registros de jubartes e cachalotes.
A presença desses materiais indica domínio de estratégias voltadas à exploração de grandes animais marinhos.
O estudo também identificou ferramentas específicas para a atividade, como partes de lanças do tipo arpão confeccionadas com ossos de baleia. Esses achados, segundo o museu, sugerem uma prática organizada de perseguição e captura, associada ao conhecimento técnico e ao uso sistemático dos recursos costeiros.