Santa Catarina abriga atualmente mais de 70 mil pessoas vindas da Venezuela, que passaram a se estabelecer no estado nos últimos anos em razão da crise política e social no país de origem, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família (SAS-SC).
A presença se intensificou com a busca por trabalho, acesso a serviços públicos e condições de permanência oferecidas pela estrutura local. Segundo o governo estadual, esse contingente faz do grupo o principal entre os estrangeiros residentes, superando outras nacionalidades que também escolheram o território catarinense como destino.
Dados da SAS indicam que os venezuelanos lideram o número de imigrantes em Santa Catarina, seguidos por argentinos e haitianos. A distribuição ocorre de forma concentrada em regiões com maior oferta de vagas formais.
No Oeste, Chapecó aparece como um dos principais pontos de fixação. No Litoral, Florianópolis reúne parte expressiva desse público. Municípios do Norte, como Joinville, também registram presença significativa, associada ao perfil industrial e de serviços dessas localidades.
Ao chegar ao estado, os imigrantes passam a acessar a rede pública nas mesmas condições dos demais moradores. O atendimento ocorre por meio da estrutura socioassistencial, com utilização de equipamentos como os Centros de Referência da Assistência Social (Cras).
A SAS mantém ainda articulação com a Polícia Federal (PF) para regularização documental, quando necessário, além de parcerias com organizações que atuam no acolhimento e na integração social e econômica.
Entre as entidades envolvidas estão Organização Internacional para as Migrações (OIM), Círculos de Hospitalidade, Pastoral do Migrante e Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). As ações incluem apoio na elaboração de currículos, encaminhamento para cursos de qualificação, intermediação de vagas de emprego e orientação sobre direitos e deveres.
O objetivo é facilitar a adaptação e promover autonomia financeira das famílias atendidas.
O perfil etário dos venezuelanos que chegam ao estado está concentrado na faixa considerada economicamente ativa, entre 25 e 40 anos. Esse fator contribui para a escolha de cidades com parques fabris consolidados e demanda constante por mão de obra.
Em relação à escolaridade, 55% possuem Ensino Médio completo e 12% têm formação superior, o que favorece a inserção no mercado formal. Em 2024, eles corresponderam por 74,7% do saldo positivo, com 14,1 mil empregos registradas.