Durante audiência pública realizada pela Câmara Municipal de Osasco, a necessidade de ampliação do horário de atendimento da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero foi tema central da reunião.
Promovido pela Comissão da Criança, do Adolescente, da Juventude e da Mulher, o encontro reuniu representantes de movimentos sociais, advogados, especialistas em defesa dos direitos da mulher e da Polícia Civil. O vereador Héber do JuntOz (PT) presidiu os trabalhos, sendo secretariado por Gabriela Bueno, do mandato coletivo JuntOz.
Héber explicou que vai protocolar a ata da audiência junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado. Além disso, vai encaminhar as reivindicações para a Prefeitura de Osasco e para os deputados estaduais.
Violência em números
A audiência apresentou dados sobre a violência contra mulheres em Osasco e nas cidades da Grande São Paulo. A cidade de Osasco responde por 37% das ocorrências de violência doméstica, com o ápice dos casos em 2023.
De acordo com a advogada criminalista Ana Facillia Meira dos Santos, os registros são subnotificados, porque a DDM não funciona nos finais de semana e feriados, período em que os casos de violência são mais frequentes.
O Movimento Olga Benário apresentou mais dados sobre feminicídios e violência doméstica, desta vez em escala nacional. O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres. Em 2025, houve o registro de 270 feminicídios somente no estado de São Paulo e 1,5 mil no país.
A ativista Fernanda Augusto destacou que os casos de violência contra a mulher acontecem, em sua maioria, fora do horário comercial. Segundo ela, a DDM representa a porta de entrada para o recomeço de muitas mulheres, mas ainda precisa de mais investimentos, funcionários e ampliação da estrutura.
Durante a reunião, o coletivo entregou à Comissão um abaixo-assinado com 1.598 adesões, solicitando a implantação de uma unidade 24 horas da DDM em Osasco.
A advogada Stephany de Carvalho Teodoro destacou que existe a necessidade de maior participação feminina nos espaços de poder, comentando também sobre a criação de políticas públicas que garantam a equidade. Zélia Lucas defendeu políticas públicas de acolhimento humanizado às vítimas de violência.
O investigador-chefe da DDM de Osasco, André Pereira Aires, falou sobre o esforço em garantir atendimento e escuta às vítimas. A equipe conta com seis investigadores, oito escrivães e dois delegados, mas funciona apenas em horário comercial. “A minha grande batalha é que a mulher não seja vítima duas vezes”, disse.