A Policlínica Centro de São Bernardo, na Avenida Armando Ítalo Setti, no Baeta Neves, tem o ambulatório de referência regional no tratamento de tuberculose, além do Programa Municipal de Controle da Tuberculose de São Bernardo. Esse ambulatório é especializado e atende casos complexos da doença, além de dar suporte técnico à rede municipal de saúde, acompanhando pacientes da cidade e de outros municípios do Grande ABC. A doença tem cura, mas precisa de um diagnóstico precoce e de tratamento.
O Programa Municipal de Combate à Tuberculose foi instaurado na rede para atuar na gestão e na assistência aos pacientes, descentralizando e facilitando o acesso ao diagnóstico e ao procedimento necessário.
Os casos de tuberculose resistente são acompanhados pelo ambulatório de referência secundária e terciária na Policlínica Centro que conta com uma equipe multiprofissional responsável pelo acompanhamento e pela realização do Tratamento Diretamente Observado (TDO).
Importância do diagnóstico precoce
A enfermeira Elaine Oliveira, que atua no ambulatório e também no Programa de Controle da Tuberculose, diz que o diagnóstico precoce é uma das melhores maneiras de combater a doença. Mesmo que a tuberculose tenha cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o reconhecimento da doença ainda ocorre de tarde, quando o paciente está mais debilitado e, em alguns casos, já transmitiu a doença para outros. "Quando a gente diagnostica o paciente precocemente, ele começa o tratamento mais rápido, tem menos sequelas no pulmão, evita internações e também evita transmitir a doença para outras pessoas. Além disso, a gente evita afastamentos do trabalho e situações em que a pessoa fica dependente de benefícios por causa de uma doença que poderia ter sido tratada mais cedo", pontuou Elaine.
Dados da doença
Em 2025, foram registrados 292 casos novos de tuberculose. Destes casos, 121 foram diagnosticados na rede hospitalar, o que representa 41% de diagnósticos tardios. Isso indica que pacientes ainda chegam ao sistema de saúde com a doença em estágios graves.
Pessoas com tosse por mais de duas semanas devem procurar uma UBS e realizar o exame de escarro, que é rápido, indolor e pode confirmar a infecção não. Caso o resultado do exame seja positivo, o tratamento já é iniciado e, em cerca de seis meses, o paciente pode receber alta por cura.
Controle da doença
A coordenadora do serviço, a médica Aline Barbosa Scarebelli, destacou a importância de ampliar a conscientização da população sobre a tuberculose. Segundo ela, trata-se de uma doença milenar que ainda permanece presente e segue causando mortes, mesmo com diagnóstico e tratamento gratuitos disponíveis pelo SUS. A profissional reforçou que é essencial ampliar o conhecimento da população, fortalecer a identificação dos casos e garantir a adesão ao tratamento como estratégias fundamentais para o controle da doença.
O secretário de Saúde de São Bernardo, Dr. Jean Gorinchteyn, afirmou que o município tem estruturado a rede para ampliar o acesso ao diagnóstico e garantir o tratamento completo dos pacientes. Ele ressaltou a importância do fortalecimento da Atenção Básica, da busca ativa de casos e do acompanhamento adequado ao longo do tratamento.
Entre os pacientes em tratamento está Mauro César dos Santos, de 59 anos, que descobriu a doença após apresentar tosse persistente. Ele foi encaminhado à UBS, depois ao hospital, onde recebeu o diagnóstico e iniciou o tratamento. Atualmente, em acompanhamento na Policlínica Centro, relata melhora significativa, com mais disposição, melhor alimentação e qualidade no sono, além de destacar o cuidado da equipe de saúde. "No começo eu andava um pouco e já ficava sem ar, tinha muita fraqueza. Hoje já estou me sentindo muito melhor e continuo vindo tomar o medicamento certinho.Aqui o atendimento é muito bom"