Por: Ana Laura Gonzalez - SP

Arte do Caps de Osasco ganha espaço na Alesp

Durante a cerimônia, houve apresentações de coral, dança e declamação de poesias realizadas por pacientes do Caps | Foto: Patricia Domingos

Entre os dias 17 e 27 de março, o Hall Monumental da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo recebe a exposição “Arte, reflexo de Luz”, que reúne 29 obras produzidas por 17 pacientes adultos do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Felício Gaspar, localizado no município de Osasco. A iniciativa propõe ao público uma reflexão sobre inclusão, cidadania e participação social por meio de expressões artísticas como desenhos e poesias.

A mostra apresenta trabalhos que abordam diferentes perspectivas da realidade e evidencia que o transtorno psíquico não impede a criatividade, a sensibilidade ou a capacidade de expressão artística. Ao contrário, as obras revelam olhares diversos, por vezes marcados por experiências pessoais e desafios relacionados à saúde mental.

A abertura da exposição ocorreu na terça-feira (17), com a presença de autoridades, profissionais da área e participantes do projeto. Durante a cerimônia, houve apresentações de coral, dança e declamação de poesias realizadas por pacientes do Caps, destacando o caráter coletivo e terapêutico das atividades desenvolvidas pela instituição.

O deputado estadual Emídio de Souza ressaltou a importância de iniciativas que promovam a valorização da arte como ferramenta de desenvolvimento pessoal e apoio ao tratamento em saúde mental. Segundo ele, a exposição contribui para ampliar o acesso dos pacientes a espaços institucionais e culturais, além de favorecer a visibilidade de seus trabalhos.

De acordo com o psicólogo João Roberto Oliveira e Silva, idealizador da mostra e profissional do Caps Osasco há mais de duas décadas, a proposta busca estimular a inclusão social e combater preconceitos associados às doenças mentais. Ele afirma que muitos pacientes possuem habilidades artísticas em áreas como pintura, escrita, música e dança, o que motivou a organização de eventos e projetos voltados à divulgação dessas produções.

Ainda segundo o psicólogo, o reconhecimento público das obras pode impactar positivamente o processo terapêutico. Entre os efeitos observados, estão a melhora nas relações familiares e sociais, além de avanços no tratamento clínico. A produção artística, nesse contexto, é utilizada como instrumento complementar de cuidado e expressão.

A exposição também dialoga com iniciativas anteriores do grupo, como a publicação do livro “Intimidades Poéticas”, lançado em 2023, que reúne textos produzidos por pacientes atendidos pelo serviço. O objetivo é ampliar os espaços de participação e fortalecer a percepção dos usuários como sujeitos ativos na sociedade.

Entre os artistas participantes está a aposentada Gelcira Gomes de Oliveira, que expõe 13 obras, sendo 12 desenhos e um poema. Seus trabalhos abordam temas ligados à natureza e ao cotidiano. Em acompanhamento psicológico desde 2002, ela relata que a produção artística passou a integrar seu processo de cuidado a partir de incentivo profissional.

Segundo Gelcira, a arte contribui para a organização dos pensamentos e para o enfrentamento de situações difíceis. Além dos desenhos, ela participa de atividades como coral e poesia, o que, segundo afirma, auxilia na manutenção de uma rotina ativa.

Os Centros de Atenção Psicossocial estão presentes em diversas regiões do país e oferecem atendimento gratuito como alternativa à hospitalização. O modelo prioriza o acompanhamento comunitário e o fortalecimento dos vínculos familiares, com foco na reabilitação psicossocial dos usuários.