Uma professora da rede estadual criou, em uma escola pública de São Bernardo do Campo, uma disciplina voltada a discutir autonomia econômica e prevenção da violência financeira contra mulheres. A iniciativa ocorre na Escola Estadual Diplomata Sérgio Vieira de Mello e é direcionada a estudantes do ensino médio.
A proposta foi desenvolvida pela professora de matemática e educação financeira Daniela Aparecida Gomes dos Santos. A disciplina, intitulada “Protagonismo feminino na educação financeira e empreendedorismo”, reúne apenas alunas e aborda temas ligados ao controle das finanças pessoais, tomada de decisões econômicas e formas de evitar prejuízos em relações afetivas ou familiares.
O conteúdo também trata da violência financeira e patrimonial, reconhecida como uma das formas de violência contra a mulher previstas na Lei Maria da Penha. Durante as aulas, as estudantes discutem situações práticas relacionadas à administração de recursos, divisão de bens e planejamento financeiro.
A disciplina funciona como atividade eletiva, modalidade existente nas escolas estaduais de ensino integral que permite aos alunos escolherem temas de interesse para aprofundamento. Essas atividades são optativas e complementam o currículo regular. Na unidade de São Bernardo do Campo, os encontros ocorrem às terças-feiras, no período da tarde.
Segundo a professora, a ideia de criar a disciplina surgiu a partir de sua própria experiência pessoal. Ela relata que enfrentou perdas financeiras após o término de um relacionamento de longa duração. Durante a união, o casal adquiriu um apartamento registrado apenas no nome do parceiro, o que acabou gerando disputa judicial após a separação.
A vivência motivou a docente a transformar o tema em conteúdo educativo para alertar outras jovens sobre riscos relacionados à falta de informação sobre direitos patrimoniais e planejamento financeiro. Nas aulas, as estudantes analisam situações do cotidiano e discutem estratégias para proteger seus recursos e evitar decisões que possam gerar prejuízos no futuro.
Para a aluna Agata Alves, de 14 anos, o tema amplia o contato com assuntos pouco discutidos no ambiente escolar. Ela afirma que as aulas apresentam informações úteis para pensar no futuro e compreender melhor como lidar com dinheiro e escolhas financeiras.
A disciplina também dialoga com o ensino de educação financeira presente no currículo da rede estadual paulista. Desde 2024, o tema passou a integrar oficialmente a matriz curricular em algumas séries do ensino fundamental e do ensino médio. Nas aulas regulares, os estudantes têm contato com conceitos como orçamento doméstico, consumo consciente e planejamento de gastos.
De acordo com a professora, a discussão sobre dinheiro pode ser sensível para muitos alunos, principalmente em contextos sociais marcados por dificuldades econômicas. Ainda assim, ela considera que abordar o tema na escola pode contribuir para que jovens desenvolvam maior autonomia ao longo da vida adulta e façam escolhas mais informadas sobre trabalho, renda e organização financeira.