Por: Da Redação

Enel descarta vender concessão em SP

Companhia apresentou às autoridades propostas para reduzir a vulnerabilidades | Foto: Edi Sousa/Ato Press/Folhapress

A Enel afirmou que não tem interesse em vender a concessão de distribuição de energia elétrica em São Paulo, mesmo diante do processo que pode levar à caducidade do contrato. A declaração foi feita pelo CEO do grupo italiano Enel, Flavio Cattaneo, durante compromissos públicos realizados nesta segunda-feira (23).

A distribuidora enfrenta questionamentos após falhas no fornecimento registradas em dezembro de 2025, quando um temporal atingiu a região metropolitana e deixou cerca de 4,4 milhões de pessoas sem energia. Em alguns pontos, a interrupção durou mais de duas semanas. O episódio passou a integrar a análise conduzida pela Agência Nacional de Energia Elétrica sobre a qualidade do serviço prestado pela concessionária.

O órgão regulador concluiu a avaliação técnica e classificou como insatisfatório o desempenho da empresa naquele período. O relatório foi encaminhado ao diretor responsável pelo processo, que deverá votar sobre a inclusão dos eventos de dezembro na análise que pode culminar na caducidade do contrato — medida que implica a perda da concessão.

A Enel sustenta que a agência não poderia considerar o apagão na decisão final. Segundo a companhia, pareceres jurídicos contratados apontam que a inclusão desses eventos seria ilegal e inconstitucional. Cattaneo afirmou que a empresa está segura do ponto de vista jurídico e que não teme o desfecho do processo.

Durante evento com investidores em Milão, o executivo também comentou as dificuldades estruturais da rede elétrica paulistana, majoritariamente aérea e instalada em meio à arborização urbana. Segundo ele, nessas condições, seria impossível evitar interrupções em situações climáticas extremas. Ao ilustrar o cenário, declarou que, se a rede permanecer como está, apenas “Jesus Cristo” seria capaz de impedir apagões, ao argumentar que não haveria solução humana capaz de eliminar totalmente o risco.

Cattaneo afirmou que o problema não estaria restrito à atuação da distribuidora, mas à configuração da infraestrutura. De acordo com ele, a companhia apresentou às autoridades propostas consideradas estruturais para reduzir a vulnerabilidade do sistema, incluindo investimentos de capital que demandam prazo de implementação. O executivo destacou que obras de modernização e enterramento de cabos exigem tempo e decisões regulatórias, além de enfrentarem pressões políticas e expectativas imediatas da população.

A empresa informou ainda que houve melhora em indicadores operacionais no último ano. O Tempo Médio de Atendimento (TMA) teria sido reduzido de 832 minutos em 2023 para 434 minutos em 2024, segundo dados apresentados pelo grupo.

Enquanto o processo regulatório segue em análise, a manutenção da concessão dependerá da avaliação final da agência. A decisão poderá definir os próximos passos da distribuidora no maior mercado de energia elétrica do país.