Por: Da Redação

Cantareira atinge 29%, mas risco persiste

Cantareira na segunda faixa mais restritiva de operação | Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

O Sistema Cantareira, um dos principais mananciais responsáveis pelo abastecimento de cerca de 22 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo, atingiu 29% do volume útil armazenado na manhã de terça-feira (10), conforme dados divulgados pela Sabesp. O índice indica recuperação em relação a meados de janeiro, quando o nível estava abaixo de 20%, mas ainda mantém o sistema em situação considerada crítica.

A elevação recente ocorre após semanas de chuvas irregulares. Em janeiro, o volume de precipitações representou 72% do esperado para o período, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Já em fevereiro, até esta terça-feira, o acumulado alcançou 81,5% da média histórica prevista para todo o mês, de acordo com informações do painel da companhia de saneamento.

Apesar da melhora gradual, o Cantareira permanece na segunda faixa mais restritiva de operação, a quarta em uma escala de cinco níveis. Nessa condição, a retirada de água está limitada a 23 metros cúbicos por segundo. O abastecimento conta ainda com apoio do reservatório do rio Jaguari, na bacia do Paraíba do Sul, como forma de complementar a oferta hídrica.

O conjunto de reservatórios que compõe o Sistema Integrado Metropolitano, do qual o Cantareira faz parte, registrava 40,65% de volume útil na manhã desta terça-feira. O índice reflete uma situação menos crítica em comparação ao Cantareira isoladamente, mas ainda distante de níveis considerados confortáveis para o período.

Mesmo com a recuperação observada nas últimas semanas, as medidas de contingência seguem em vigor. Entre elas está a redução de pressão na rede de distribuição entre 19h e 5h, estratégia adotada para conter o consumo e preservar os reservatórios. Na prática, a ação tem resultado em interrupções temporárias no fornecimento de água em diferentes bairros da capital e da Grande São Paulo, especialmente durante a madrugada e no início da manhã.

Especialistas apontam que a consolidação da recuperação dependerá da regularidade das chuvas ao longo das próximas semanas. Até que os reservatórios alcancem patamares mais seguros, o sistema continuará operando sob restrições e monitoramento permanente das condições climáticas e dos níveis de armazenamento.