A venda ilegal de passagens em ônibus intermunicipais da Grande São Paulo tem se tornado rotina em diferentes regiões da capital e da região metropolitana. Flagrantes registrados no início deste ano mostram vendedores clandestinos atuando livremente nas portas dos coletivos, oferecendo bilhetes mais baratos, emprestando cartões de transporte de forma irregular e desviando recursos do sistema oficial de bilhetagem, o Bilhete TOP.
A prática ocorre diariamente, faça sol ou chuva, em áreas de grande circulação de passageiros. No Centro da capital, em terminais e pontos movimentados da região metropolitana, os vendedores disputam espaço nas calçadas e abordam usuários momentos antes do embarque. A negociação acontece, muitas vezes, literalmente na porta do ônibus, interferindo no fluxo de entrada dos passageiros.
O esquema é simples e visível. O passageiro recebe um cartão TOP já carregado, utiliza-o para passar pela catraca e, em seguida, devolve o cartão ao vendedor clandestino. A devolução acontece pela janela ou por frestas da porta, inclusive em veículos com ar-condicionado. Em alguns casos, motoristas chegam a aguardar a entrega do cartão antes de seguir viagem.
Em cidades como Osasco e em terminais estratégicos, como o Armênia, a venda irregular ocorre a poucos metros de agentes de segurança. Há registros de vendedores orientando passageiros sobre itinerários e horários, mesmo com a presença da Polícia Militar nas proximidades.
Embora os flagrantes sejam recentes, as fraudes no transporte público da Grande São Paulo não são novas. De diferentes formas, essas práticas geram prejuízos contínuos ao sistema, comprometendo a arrecadação das empresas operadoras e impactando o financiamento do transporte coletivo.
A empresa responsável pela administração do Bilhete TOP informou que mantém monitoramento permanente do sistema de bilhetagem e que, em 2025, houve aumento significativo no número de cartões bloqueados em comparação com o ano anterior. Também destacou que a tecnologia do cartão impede recargas fora dos canais oficiais, sem detalhar como os bilhetes usados no esquema ilegal são abastecidos.
Especialistas em gestão pública alertam que a venda clandestina de passagens pode estar associada a outras irregularidades, como uso indevido de gratuidades e possível envolvimento de organizações criminosas. A perda de receita acaba sendo absorvida pelo poder público, elevando os custos para o Estado e, indiretamente, para a população.
Segundo a administradora do sistema, na maioria das ocorrências o próprio titular do cartão comercializa, de forma irregular, benefícios como vale-transporte ou gratuidades concedidas pelo governo estadual.
O governo de São Paulo reforçou que a venda ilegal de bilhetes é crime. No ano passado, ações de fiscalização resultaram na detenção de dezenas de pessoas e na apreensão de milhares de cartões. A gestão estadual informou ainda que vai intensificar o policiamento em estações e terminais e orienta a população a denunciar a prática pelo telefone 190.