Por: Da Redação

Sabesp inicia obra para ampliar oferta de água na Grande SP

Ponto de captação do Rio Pequeno, da represa Billings | Foto: Divulgação/Sabesp

A Sabesp deu início a uma obra considerada estratégica para ampliar a segurança hídrica da capital paulista e da Região Metropolitana de São Paulo. A nova Interligação Billings–Alto Tietê vai permitir a transferência de até 4.000 litros por segundo de água bruta do braço Rio Pequeno, na represa Billings, em São Bernardo do Campo, para a represa Taiaçupeba, em Suzano, que integra o Sistema Alto Tietê. O investimento total previsto é de R$ 1,4 bilhão.

Com a nova estrutura, o Sistema Integrado Metropolitano ganha um reforço equivalente ao consumo contínuo de cerca de 1,9 milhão de pessoas, ampliando a capacidade de atendimento a aproximadamente 22 milhões de habitantes da Grande São Paulo. A vazão prevista representa uma pequena parcela do volume total armazenado na Billings, mas tem impacto significativo na ampliação da oferta de água em períodos de estiagem ou irregularidade das chuvas.

A quantidade de água a ser captada no Rio Pequeno já é utilizada, quando necessário, em uma interligação existente com o Sistema Rio Grande. A diferença é que, com a nova obra, essa mesma vazão poderá abastecer dois sistemas produtores distintos, aumentando a flexibilidade operacional e a resiliência do abastecimento regional. Toda a água transferida passará por tratamento completo antes de chegar à população.

A iniciativa faz parte do conjunto de ações estruturantes de segurança hídrica da Sabesp, voltadas a enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e o histórico desafio de baixa disponibilidade hídrica da RMSP. A região apresenta uma das menores disponibilidades de água per capita do país, em torno de 149 metros cúbicos por habitante ao ano, índice comparável ao de áreas semiáridas. Em 2025, a situação foi agravada por uma das piores estiagens da última década, com chuvas entre 40% e 70% abaixo da média.

A nova interligação substitui uma solução emergencial utilizada entre 2015 e 2020, durante a crise hídrica, que tinha caráter temporário, custos elevados e limitações operacionais. Desta vez, o projeto foi concebido como infraestrutura permanente, com tubulações enterradas, maior eficiência energética e possibilidade de operação contínua conforme critérios técnicos.

Para o Sistema Alto Tietê, a água será transportada por cerca de 38 quilômetros de adutoras de aço enterradas, com diâmetros que chegam a 1,80 metro, passando por São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Suzano e Mogi das Cruzes. A estação elevatória ficará às margens do Rio Pequeno e contará ainda com subestação de energia própria.

Até 2027, a Sabesp prevê investir mais de R$ 5 bilhões em obras de segurança e resiliência hídrica na Região Metropolitana de São Paulo, ampliando em 8.000 litros por segundo a oferta de água para toda a população da região.