Além do episódio no condomínio, surgiram novos relatos envolvendo o vereador Otto Alejandro (PL). Uma testemunha que não quis se identificar, afirmou à reportagem que presenciou Otto Alejandro agredindo passageiros dentro de um ônibus na esquina das avenidas Francisco Glicério e Aquidabã, em Campinas, em julho deste ano. O depoimento se soma ao vídeo das ameaças à porteira e a gravação em que agrediu os passageiros e o motorista do ônibus.
Segundo a testemunha, os registros que circulam sobre o vereador não são casos isolados. "Tenho um vídeo dele aqui… filmado por mim, de julho deste ano, quando ele apedrejou um ônibus e quebrou o vidro, ameaçou motorista e passageiros e empurrou a namorada, chamando de vadia", relatou.
A testemunha conta que estava dentro do ônibus no momento da confusão. "O ônibus tinha parado para pegar passageiros no final da Glicério com Aquidabã, em frente ao Largo do Pará. O que parece é que este Otto encasquetou que o ônibus tinha batido no carro dele", afirmou. Ela conta que estava dentro do veículo quando tudo começou: "Eu estava dentro do ônibus quando percebi a confusão e, de repente, rolou a pedrada no vidro do ônibus. O vereador jogou uma pedra no vidro do ônibus."
Antes disso, a testemunha havia acabado de embarcar. "Quando eu cheguei, coloquei minha mala no porta-malas, subi no ônibus, sentei. Sentados no ônibus, do nada um barulho forte e a janela de trás estilhaçada. Imaginei até que tinha sido uma batida. Mas na verdade o ônibus tinha sido apedrejado por alguém". Após o primeiro impacto, ela afirma que o vereador continuou: "Ele ainda jogou mais pedras que poderiam ter acertado alguém."
Ela relata que acompanhou praticamente tudo de dentro do ônibus. "Eu fiquei quase todo o tempo dentro do ônibus, o momento que saí foi depois que ele espatifou o celular do motorista do ônibus." Segundo seu relato, foi nesse momento que a situação ficou ainda mais tensa: "O motorista vai tentar conversar com o Otto com o celular na mão, o Otto pega o celular da mão do motorista, joga no chão e quebra o celular. Então, alguns passageiros começam a filmar, começam a se revoltar."
A partir daí, o vereador teria avançado contra quem estava na calçada e também contra quem tentava registrar o ocorrido. "O Otto vem pra cima dos passageiros, gritando com os passageiros, inclusive comigo, que fiz uma das filmagem". A testemunha confirma que também foi ameaçada diretamente: "Eu estava filmando e ele veio pra cima de mim."
Com a confusão aumentando, ela diz que recuou. "Quando saí pra filmar, ele ameaçou de vir pra cima das pessoas que estavam na rua na porra do ônibus, aí voltei pra dentro e acompanhei tudo de dentro do ônibus." Segundo ela, o parlamentar parecia completamente alterado: "Não interagi com ele. Mas pelo estado em que estava, ele falava tão arrastado que se falasse comigo eu provavelmente não ia entender."
A mulher que estava com o vereador também tentava intervir. "A mulher que estava com o vereador tentou apartar a discussão e o vereador partiu pra cima dela e teve, de fato, agressão física", afirmou.
"No momento da agressão física à mulher eu estava dentro do ônibus. Acompanhei tudo. Teve puxões e empurrões. Além de xingamentos diversos." Ela reforça que essa parte do episódio é o que mais a indignou: "As minhas revoltas foram a agressão ao motorista, a questão de quebrar o vidro que podia ter atingido alguém, os passageiros do ônibus e também a maneira com que ele tratava a mulher."
A chegada da Polícia Militar, segundo ela, não resolveu a situação. "Aí, chegou a polícia, não fez teste do bafômetro." Pouco depois, um homem teria aparecido dizendo que dirigiria o veículo do parlamentar. "Chegou uma outra pessoa se dizendo motorista do carro, para dirigir para o vereador. Mas ele falou que o Otto estava visivelmente embriagado, que inclusive a fala dele… enfim, que foi isso."
A testemunha acredita que nenhuma ocorrência policial tenha sido registrada ali. "Não acho que foi feito BO, fiquei com o motorista até o momento em que os guardas mandaram ele sair com o ônibus apedrejado. O motorista chegou a coletar dados de pessoas para serem testemunhas."
Enquanto isso, dentro do veículo, quem presenciava a cena tentava se proteger. "De dentro do ônibus os passageiros se refugiaram e ligaram pro 190."