ELEIÇÕES 2026

MP Eleitoral contesta 3 candidaturas em SP por suspeita de crime organizado

Entre os casos está Ney Santos, eleito deputado federal pelo Republicanos

MP Eleitoral contesta 3 candidaturas em SP por suspeita de crime organizado
MP Eleitoral questionou três candidaturas paulistas em 2026 Crédito: Divulgação/MPE

O Ministério Público Eleitoral contestou três candidaturas em São Paulo nas eleições de 2026 por suspeitas de ligação com o crime organizado. Os casos fazem parte de um levantamento nacional divulgado na sexta-feira (6), que identificou 42 candidaturas questionadas em dez estados. Desse total, 22 candidatos tiveram os registros barrados pela Justiça Eleitoral ou desistiram da disputa.

Entre os casos paulistas está o de Ney Santos (Republicanos), eleito deputado federal por São Paulo. O Ministério Público recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impedir o registro da candidatura do político, que responde a uma ação penal na qual é acusado de comandar uma organização criminosa e lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. 

Segundo a Procuradoria-Geral da República, Ney Santos também foi condenado por abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2016, em um processo relacionado ao financiamento ilícito de campanha. Apesar dos questionamentos, sua candidatura foi validada pela Justiça Eleitoral. O recurso apresentado pelo MP  ainda aguarda julgamento no TSE.

Ney Santos nega todas as acusações.

O órgão sustenta que a existência de provas consistentes de ligação com organizações criminosas pode justificar o impedimento de uma candidatura, mesmo sem condenação criminal definitiva. O entendimento tem como fundamento o artigo 17 da Constituição Federal, que proíbe a utilização de organizações paramilitares por partidos políticos.

São Paulo aparece com três candidaturas contestadas no levantamento nacional. O Rio de Janeiro registra 26 casos e a Paraíba, quatro. Os demais nove casos estão distribuídos entre outros sete estados. Os dados mostram a dimensão das ações apresentadas pelo MPE durante o processo eleitoral de 2026.

O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, afirma que a atuação busca impedir que organizações criminosas financiem campanhas, controlem partidos ou ampliem sua influência sobre representantes eleitos.

Para reforçar a fiscalização, o MP criou, em 2026, um grupo de trabalho dedicado ao combate à atuação do crime organizado nas eleições. A iniciativa também recomendou aos partidos a adoção de mecanismos internos para verificar antecedentes e possíveis vínculos de seus candidatos com atividades criminosas.

O julgamento dos recursos pendentes poderá alterar a situação jurídica de candidatos eleitos.