A concessão de novos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou retração nos últimos dois anos. Dados do Banco Central mostram que os desembolsos somaram R$ 22,6 bilhões entre janeiro e abril de 2026, uma queda de 40% em relação ao mesmo período de 2024, quando atingiram R$ 37,7 bilhões. Em comparação com 2025, quando foram liberados R$ 33,7 bilhões, o recuo foi de 33%.
A redução resulta da combinação entre o aumento do endividamento dos idosos e o endurecimento das regras para contratação do crédito consignado, adotadas pelo governo para combater fraudes. Desde maio de 2025, aposentados precisam validar a contratação por meio de biometria no aplicativo Meu INSS, com verificação integrada ao cadastro biométrico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo o Ministério da Previdência, cerca de 25% dos beneficiários ainda não possuem biometria cadastrada no TSE, o que, na prática, impede o acesso à modalidade de crédito, considerada uma das mais baratas do mercado. Em abril, a taxa média de juros do consignado do INSS era de 23,9% ao ano, menos da metade da média de 63% cobrada em outras linhas de crédito para pessoas físicas.
Outro fator que explica a desaceleração é o elevado comprometimento da renda dos idosos. Dados da Serasa mostram que quase metade das pessoas com mais de 60 anos estava negativada em dezembro de 2025, percentual superior aos pouco mais de 35% registrados no fim de 2021. Além disso, levantamento realizado neste ano aponta que cerca de 80% dos aposentados comprometem entre 81% e 100% da renda com despesas fixas e dívidas.
Para o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), "a queda nas concessões representa uma acomodação do mercado após anos marcados por denúncias de assédio comercial e empréstimos contratados sem autorização dos beneficiários". Casos de fraudes, inclusive envolvendo aposentados falecidos e descontos indevidos, motivaram o reforço nos mecanismos de segurança adotados pelo INSS.
As instituições financeiras, por outro lado, defendem que o atual processo de contratação é "excessivamente burocrático". Representantes do setor afirmam que a exigência de biometria vinculada ao TSE dificulta o acesso ao crédito para milhões de aposentados e defendem alternativas, como a utilização da autenticação por meio da plataforma Gov.br.
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