A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) recebeu autorização para ampliar, em caráter temporário e excepcional, a captação de água da bacia do Rio Paraíba do Sul com o objetivo de reforçar o Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. A medida foi aprovada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em conjunto com os órgãos gestores de recursos hídricos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e busca aumentar a segurança hídrica diante da persistência da estiagem.
O Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de cerca de 10 milhões de pessoas, opera atualmente na chamada "faixa de atenção", com apenas 39,9% de seu volume útil armazenado, índice inferior à média histórica para o período. Já o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne sete grandes reservatórios responsáveis pelo abastecimento da Grande São Paulo, registra 52,5% da capacidade.
Com a autorização, o volume máximo anual de água que poderá ser transferido da Usina Hidrelétrica Jaguari, localizada na bacia do Rio Paraíba do Sul, para o reservatório Atibainha, integrante do Sistema Cantareira, passará dos atuais 162 hectômetros cúbicos (hm³) para até 268,28 hm³ ao longo de 2026. Cada hectômetro cúbico corresponde a 1 bilhão de litros de água. A medida terá validade até 31 de dezembro de 2026.
O aumento da transferência atende a um pedido apresentado pela Sabesp e recebeu parecer favorável dos comitês das bacias hidrográficas do Paraíba do Sul, Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e Alto Tietê. Segundo os órgãos gestores, a decisão busca preservar a segurança do abastecimento diante da perspectiva de continuidade do período seco.
A autorização ocorre em um momento considerado delicado para o Sistema Cantareira. Caso o nível dos reservatórios permaneça abaixo de 40%, o manancial poderá entrar na chamada faixa 3, de alerta, prevista nas regras operacionais da outorga. Nessa situação, a vazão máxima autorizada para captação de água seria reduzida de 31 metros cúbicos por segundo para 27 metros cúbicos por segundo, restringindo a disponibilidade hídrica para abastecimento.
A decisão também estabelece uma série de condicionantes para evitar impactos sobre a própria bacia do Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de milhões de moradores do estado do Rio de Janeiro e de municípios de São Paulo e Minas Gerais. Entre as exigências está a suspensão automática do aumento da transferência caso o Sistema Cantareira volte a operar acima de 60% do volume útil ou se a Sabesp retomar a utilização da vazão média mensal sem restrições. A companhia também deverá adotar medidas para minimizar eventuais reduções nos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Jaguari, Santa Branca, Paraibuna e Funil.
Em nota, a Sabesp afirmou que a autorização está prevista nas regras de operação do Sistema Cantareira e integra os mecanismos definidos pela outorga vigente. A empresa destacou que a ampliação da transferência faz parte de uma estratégia voltada ao fortalecimento da segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo.
A companhia informou ainda que pretende investir R$ 7,8 bilhões até 2030 em ações destinadas a aumentar a resiliência dos sistemas de abastecimento. O pacote inclui a modernização de instalações, ampliação da capacidade de tratamento de água, construção de novas interligações entre mananciais e melhorias operacionais para enfrentar períodos prolongados de estiagem.
Segundo a Sabesp, o monitoramento dos reservatórios, das vazões e das condições climáticas é realizado continuamente para orientar a operação dos sistemas. A empresa afirma que, mesmo diante de diferentes cenários hidrológicos projetados para 2026, os estudos técnicos indicam manutenção da segurança do abastecimento na Grande São Paulo, reforçada agora pela ampliação temporária da transferência de água da bacia do Rio Paraíba do Sul.
Menu