A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sediou, nesta quarta-feira (22), a etapa final do Campeonato de Debate e Estudos Avançados do Colégio São Luís (CSL), instituição de ensino católica com 159 anos de atuação no Estado.
Em sua sétima edição, o torneio teve como tema central a jornada de trabalho no modelo 6x1 — sistema em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem direito a um dia de descanso remunerado. O tema, atualmente em discussão no Congresso Nacional, foi o eixo das argumentações apresentadas pelos estudantes.
A realização do evento na sede do Legislativo paulista ocorreu por articulação do deputado estadual Carlos Giannazi (Psol). Educador de formação, o parlamentar destacou o caráter pedagógico da iniciativa e afirmou que atividades como essa contribuem para a formação cidadã e o estímulo ao pensamento crítico.
Segundo o professor de geografia do Colégio São Luís, Thiago Vale, a escolha da Alesp como palco da final reforça o simbolismo do exercício democrático. Ele classificou o espaço como a “Casa da democracia paulista”, em referência ao fato de o Parlamento estadual ser o maior da América Latina.
Debate entre equipes
Os estudantes do ensino médio foram divididos em equipes favoráveis e contrárias à possível revisão da escala 6x1. Durante a atividade, os participantes apresentaram argumentos baseados em dados estatísticos, referências sociológicas e técnicas de oratória, sem o uso de consultas digitais.
A equipe favorável à mudança destacou impactos relacionados à saúde e à qualidade de vida dos trabalhadores. Já os participantes contrários à alteração apontaram possíveis efeitos sobre a produtividade, a viabilidade econômica e riscos de insegurança jurídica no mercado de trabalho.
Discussões sobre democracia e desigualdade
Antes do início do debate estudantil, o deputado Carlos Giannazi abordou aspectos da democracia sob a perspectiva econômica, defendendo que a ampliação de direitos deve estar associada à redução das desigualdades sociais e ao acesso a políticas públicas.
O cientista social Paulo Reis também participou da programação e questionou o conceito de democracia racial. Em sua fala, defendeu que a igualdade efetiva depende de mudanças estruturais na distribuição de poder e recursos, e destacou a necessidade de ações voltadas à superação das desigualdades raciais no país.