São Paulo registra um dos menores índices de participação de adolescentes no eleitorado brasileiro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral compilados pelo Unicef. No estado, apenas 11,7% dos jovens de 16 e 17 anos possuem título de eleitor, percentual bem abaixo da média nacional, que é de cerca de 20,3%.
Em números absolutos, o cenário também chama atenção. São aproximadamente 1,19 milhão de adolescentes nessa faixa etária em São Paulo, mas menos de 139 mil estão aptos a votar. O dado evidencia um desafio significativo para ampliar o engajamento político entre os jovens paulistas, especialmente em um dos estados mais populosos do país.
O voto para adolescentes de 16 e 17 anos é facultativo no Brasil, o que ajuda a explicar, em parte, a baixa adesão. Ainda assim, especialistas apontam que o índice reduzido reflete também um distanciamento dessa parcela da população em relação à participação política formal.
O contraste é ainda mais evidente quando comparado a estados das regiões Norte e Nordeste, onde a adesão de jovens ao eleitorado é significativamente maior. Em algumas dessas localidades, mais de 30% dos adolescentes já possuem título de eleitor, com destaque para Rondônia, que lidera o ranking nacional.
No cenário nacional, o Brasil conta com cerca de 5,8 milhões de adolescentes entre 16 e 17 anos, mas apenas cerca de 1,8 milhão haviam tirado o título de eleitor até fevereiro. Na prática, isso significa que apenas dois em cada dez jovens estão aptos a votar.
Diante desse cenário, campanhas têm sido intensificadas para estimular a participação juvenil. O Unicef, em parceria com o TSE, lançou uma mobilização nacional com ações em escolas e nas redes sociais para incentivar os adolescentes a exercerem o direito ao voto e se envolverem nas decisões que impactam seu futuro.
O prazo para emissão, regularização ou transferência do título de eleitor segue até 6 de maio. A expectativa é que, até lá, mais jovens em São Paulo busquem o documento e ampliem a participação nas próximas eleições, reduzindo a distância em relação à média nacional e fortalecendo o engajamento cívico no estado.
Apesar do cenário atual, especialistas avaliam que há espaço para avanço, especialmente com ações de educação cívica e incentivo ao protagonismo juvenil. A ampliação do acesso à informação e o engajamento nas escolas são apontados como caminhos para aproximar os jovens do processo democrático.