O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram uma operação contra um grupo suspeito de envolvimento em um esquema milionário de fraudes relacionadas ao inventário de João Carlos Di Genio. A investigação apura o desvio de recursos que podem chegar a quase R$ 900 milhões, ligados ao espólio bilionário deixado pelo empresário.
Di Genio, fundador do grupo educacional Unip/Objetivo, morreu em 2022, aos 82 anos, de causas naturais. Ele deixou esposa e três filhos, além de um patrimônio acumulado ao longo de décadas, considerado de grande valor. Desde então, o inventário vem sendo conduzido e, segundo as autoridades, teria sido alvo de fraudes.
De acordo com as investigações, o grupo atuava de forma estruturada para manipular o processo de inventário, com indícios de uso de documentos falsos, inserção de informações enganosas e estratégias para induzir decisões judiciais favoráveis. A atuação dos suspeitos teria permitido o desvio de grandes quantias vinculadas ao patrimônio.
A operação cumpriu mandados judiciais em endereços ligados aos investigados, com apreensão de documentos, celulares, computadores e outros materiais que podem contribuir para o avanço das apurações. A ação foi conduzida pelo Ministério Público, com apoio de unidades especializadas da Polícia Civil no combate a crimes econômicos.
Segundo os investigadores, o esquema pode ter causado prejuízos expressivos, considerando o volume de recursos envolvidos. O caso chama atenção não apenas pelo valor estimado, mas também pela complexidade das fraudes, que teriam sido executadas ao longo do andamento do inventário, possivelmente com divisão de tarefas entre os participantes.
As apurações indicam que os suspeitos se aproveitaram da complexidade dos trâmites judiciais e de possíveis fragilidades no processo para viabilizar o esquema, dificultando a identificação das irregularidades em um primeiro momento. O objetivo agora é detalhar a participação de cada envolvido e rastrear o destino dos valores.
Há indícios de que o grupo possa ter atuado de forma contínua, acompanhando diferentes etapas do inventário para interferir nos procedimentos e maximizar os ganhos ilícitos. A investigação também busca identificar se houve eventual participação de intermediários ou uso de terceiros para ocultar a origem dos recursos.
Além da coleta de provas, a operação busca interromper a continuidade das fraudes e evitar novos prejuízos ao espólio. As autoridades também trabalham para identificar outros possíveis envolvidos e verificar se há ramificações do esquema em outros casos semelhantes no estado.
Os investigados poderão responder por crimes como estelionato, falsidade documental e organização criminosa, entre outros que possam ser identificados ao longo das investigações. O Ministério Público também avalia medidas judiciais para bloquear bens e recuperar valores que tenham sido desviados, garantindo a preservação do patrimônio.
A ação faz parte de uma estratégia mais ampla de combate a fraudes patrimoniais de grande escala, especialmente aquelas que envolvem uso indevido de instrumentos legais e tentativas de manipulação do sistema de Justiça. A atuação conjunta entre Ministério Público e Polícia Civil tem sido considerada fundamental para enfrentar esse tipo de crime.
As autoridades destacam que esquemas desse tipo comprometem não apenas o patrimônio envolvido, mas também a confiança nos processos judiciais, exigindo respostas firmes e coordenadas dos órgãos de controle e investigação. As investigações seguem em andamento, e novas fases da não estão descartadas. A expectativa é que seja possível esclarecer completamente o funcionamento do esquema.
O caso é considerado um dos mais relevantes envolvendo fraudes em inventários, tanto pelo valor estimado quanto pela complexidade das ações e pelo impacto sobre um dos maiores patrimônios privados ligados ao setor educacional no país.