Por: Ana Laura Gonzalez - SP

Fiesp define agenda ambiental de 2026 com foco em inovação e clima

Reunião de abertura do colegiado destacou temas como licenciamento ambiental, regulamentação do mercado de carbono, economia circular e logística reversa | Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

O Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) definiu, na última terça-feira (24/2), a agenda de prioridades ambientais para 2026. A reunião de abertura do colegiado destacou temas como licenciamento ambiental, regulamentação do mercado de carbono, economia circular e logística reversa, que orientarão os debates ao longo do ano.

O presidente do Cosema, Joaquim Leite, ex-ministro do Meio Ambiente, afirmou que o meio ambiente não deve ser tratado como pauta isolada ou meramente regulatória, mas integrado de forma transversal às políticas de indústria, inovação e comércio exterior. “Que 2026 seja o ano em que consolidaremos uma nova etapa: a do meio ambiente como eixo estruturante da competitividade, da inovação e do protagonismo brasileiro no cenário global”, disse.

Leite defendeu que desenvolvimento econômico e preservação ambiental devem caminhar juntos dentro de um projeto amplo de modernização, eficiência e racionalidade do Estado. Segundo ele, a Fiesp participará ativamente das discussões globais sobre clima, florestas, biodiversidade e combate à poluição marinha, mantendo o foco na defesa do interesse nacional e na qualidade do ar urbano.

A abordagem proposta pelo Cosema se baseia na chamada “Inteligência Ambiental Positiva”, conceito que transforma a sustentabilidade em ativo econômico, vetor de inovação tecnológica e oportunidade de negócios. Entre as ações previstas estão o avanço do saneamento ambiental, o fortalecimento do marco legal e a implementação de um licenciamento ambiental previsível, ágil e tecnicamente rigoroso.

O colegiado também prioriza a regulamentação estruturada do mercado de carbono, considerada estratégica para ampliar exportações e valorizar inovações industriais. Além disso, estão na pauta iniciativas voltadas ao reconhecimento e precificação de ativos ambientais, com incentivos à conservação de florestas nativas, restauração florestal e ao desenvolvimento da bioeconomia.

Outro eixo destacado é a consolidação do Brasil como potência em energias limpas e renováveis. O Cosema enfatiza a importância das matrizes hídrica, solar, eólica e de biocombustíveis, incluindo etanol, biodiesel, biogás e gás natural, com objetivo de assegurar oferta de energia segura e competitiva para consumidores e indústria.

A reunião reforçou o papel do Cosema como espaço permanente de convergência entre indústria, governo e sociedade. O colegiado pretende orientar políticas que conciliem crescimento econômico com proteção ambiental, estimulando o país a assumir posição de protagonismo internacional na agenda climática e na geração de soluções sustentáveis.

A Fiesp destacou ainda que a integração entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental será essencial para tornar o Brasil referência em inovação e competitividade no setor industrial. Leite concluiu afirmando que a atuação do Cosema ao longo do ano buscará consolidar o meio ambiente como fator estratégico de desenvolvimento nacional, alinhando preservação, geração de empregos e promoção de tecnologias sustentáveis.

Com a agenda definida, o colegiado pretende acompanhar a evolução de políticas públicas, propor ajustes regulatórios e estimular o diálogo entre setor privado, sociedade civil e órgãos governamentais. A intenção é criar um ambiente de previsibilidade e eficiência, fortalecendo o mercado de carbono, a bioeconomia e a implementação de soluções ambientais com retorno econômico, social e ecológico.

O conselho reforçou a necessidade de atuação coordenada entre os diferentes setores da indústria e a sociedade, considerando que as decisões ambientais impactam diretamente na competitividade do país e na capacidade de inovação tecnológica. O Cosema deverá promover encontros periódicos e debates especializados para monitorar os resultados das iniciativas e ajustar a agenda de acordo com novos desafios e oportunidades.

O planejamento apresentado evidencia a intenção da Fiesp de posicionar o Brasil como referência internacional em soluções ambientais, alinhando crescimento econômico com preservação da biodiversidade, expansão de energias limpas e gestão eficiente de recursos naturais. O ano de 2026 será marcado pela busca de equilíbrio entre proteção ambiental, inovação industrial e protagonismo global.