Por: Por Raphaela Cordeiro

Temporais deixam cidades em emergência no litoral paulista

Defesa Civil de SP/Divulgação | Foto: Defesa Civil de SP/Divulgação

Por Raphaela Cordeiro

As fortes chuvas que atingiram o litoral paulista entre sábado (21) e domingo (22) colocaram cidades do litoral norte, da Baixada Santista e do litoral sul em estado de emergência e atenção, provocando alagamentos, deslizamentos, interdições de rodovias e deixando famílias fora de casa. De acordo com a Defesa Civil estadual, alguns municípios registraram, em apenas 72 horas, volume equivalente ou superior à média prevista para todo o mês de fevereiro, com manutenção de gabinete de crise e alertas constantes para riscos hidrológicos e geológicos.

No litoral norte, Ubatuba decretou situação de emergência por 180 dias após registrar mais de 200 milímetros de chuva em três dias. Em cerca de 12 horas, o acumulado já correspondia à média histórica mensal, deixando o solo em condição de saturação crítica. No bairro Angelim, famílias ficaram desalojadas e foram acolhidas por parentes e amigos. Ao todo, centenas de residências foram cadastradas como atingidas, principalmente na região sul da cidade. As aulas da rede municipal foram suspensas devido a alagamentos, acúmulo de lama e danos estruturais em unidades escolares. Pontos de apoio foram organizados para armazenamento de alimentos, preparo de refeições e triagem de donativos.

A Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), que liga o Vale do Paraíba ao litoral, registrou deslizamentos, queda de árvores e interdições parciais. O tráfego foi restabelecido após limpeza e avaliação técnica, mas o monitoramento permanece devido ao risco de novos escorregamentos.

Em Natividade da Serra, um deslizamento atingiu uma residência na altura do km 64 da mesma rodovia e deixou um morador desaparecido. As buscas mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, com suspensão temporária durante a noite por questões de segurança. Ao longo da estrada, foram identificados diversos pontos de queda de barreira. O Rio Paraibuna chegou a transbordar, mas retornou ao leito normal sem registro de desabrigados.

Também no litoral norte, Caraguatatuba contabilizou alagamentos em vias públicas e imóveis, além de ocorrências relacionadas a quedas de barreiras em áreas de encosta. Equipes municipais atuaram na desobstrução de galerias, retirada de lama e vistoria de imóveis situados em regiões de risco.

No litoral sul, Peruíbe foi uma das cidades mais impactadas, com acumulados expressivos, dezenas de desabrigados acolhidos em escola municipal adaptada como abrigo e outros desalojados encaminhados para casas de parentes. A Serra do Guaraú opera em sistema de comboio devido ao risco de novos deslizamentos, podendo ser interditada preventivamente conforme as condições climáticas.

Na Baixada Santista, Mongaguá decretou estado de atenção após a elevação do nível dos rios e registro de alagamentos em bairros como Itaóca, Agenor, Jardim Praia Grande e Flórida Mirim, além de queda de árvores em vias importantes. Bertioga também registrou acumulados elevados, com pontos de alagamento e monitoramento constante de áreas suscetíveis a escorregamentos.

Itanhaém, Praia Grande e Guarujá tiveram registros de ruas inundadas, impactos no transporte público e ocorrências de quedas de árvores e muros. Em alguns municípios houve suspensão preventiva de aulas e reforço das equipes de emergência para atendimento às famílias afetadas.

Apesar dos danos materiais e do número de ocorrências, não houve confirmação de vítimas fatais até o momento. A Defesa Civil estadual mantém alerta para novas pancadas de chuva, orientando a população a evitar áreas alagadas, encostas instáveis e travessias em vias inundadas. O monitoramento segue ativo em todos os municípios do litoral paulista, com atuação integrada entre Estado e prefeituras para reduzir riscos e prestar assistência às famílias atingidas.

O volume excepcional de chuva reacende o debate sobre ocupações em áreas de risco, drenagem urbana e prevenção de desastres.