Por: Ana Laura Gonzalez - SP

Unesp cria curso de língua e cultura chinesas, inédito na América Latina

As primeiras 40 vagas serão ofertadas no Vestibular Unesp Meio de Ano 2026 | Foto: Divulgação/Governo de SP

O Conselho Universitário da Universidade Estadual Paulista (Unesp) aprovou nesta terça-feira (10), em reunião realizada no auditório da Coordenadoria de Desenvolvimento Profissional e Práticas Pedagógicas (CDeP3), na capital paulista, a criação do curso de língua e cultura chinesas, inédito no país. As primeiras 40 vagas serão ofertadas no Vestibular Unesp Meio de Ano 2026, com início previsto para agosto, mês em que se inicia o ano letivo na China.

O novo curso será ofertado como bacharelado na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) do câmpus de Assis, com aulas no período noturno e duração mínima de quatro anos. O diferencial da graduação é a possibilidade de os estudantes cursarem os dois últimos anos na Universidade de Hubei, na China, por meio de acordo de cooperação entre as instituições, com aval do Ministério da Educação chinês. A proposta prevê que os alunos obtenham duplo diploma, com ênfase em relações comerciais internacionais.

Estrutura do curso e seleção para estudos na China

Segundo a professora Renata Giassi Udulutsch, diretora da FCL e uma das idealizadoras da graduação, os dois primeiros anos têm foco no ensino da língua chinesa. Ao final do biênio inicial, de 15 a 20 estudantes poderão prosseguir os estudos na China, mediante seleção que avaliará proficiência linguística, desempenho acadêmico e outros critérios previstos no projeto político pedagógico aprovado.

Durante a apresentação ao Conselho Universitário, a diretora destacou que o processo de criação do curso ocorreu entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, com ampla participação da comunidade acadêmica. O curso permitirá que os alunos se formem exclusivamente no Brasil, com ênfase em tradução, ou realizem parte da graduação na China, com foco em relações comerciais internacionais. O país asiático é atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, com transações que movimentaram cerca de US$ 171 bilhões em 2025.

Objetivos e internacionalização

“A Unesp já possui relação consolidada com a China e esta graduação amplia a formação de profissionais para o mercado Brasil-China, com perspectivas além-fronteiras”, afirma a reitora Maysa Furlan. A proposta, segundo a reitora, oferece experiência sociocultural e acadêmica internacional, sendo o primeiro curso compartilhado entre Brasil e China na América Latina.

O curso visa preparar profissionais com domínio da língua e cultura chinesas, aptos para atuar em tradução de textos e relações comerciais internacionais. As 40 vagas disponíveis foram remanejadas do curso de Letras do câmpus de Assis, que reduziu a oferta de 140 para 100 vagas.

Investimento e impacto institucional

No acordo com a Universidade de Hubei, está previsto investimento anual de US$ 300 mil para melhorias na infraestrutura. A Unesp também planeja contratar cinco docentes e dois servidores técnico-administrativos nos próximos anos para atender à graduação.

“Este é o primeiro curso de língua e cultura chinesas na América Latina e representa inovação pedagógica e estratégica para a universidade”, afirma o vice-reitor Cesar Martins. O curso oferece oportunidades de atuação em ensino, órgãos de relações exteriores e empresas multinacionais.

Inovação e consolidação da parceria

A pró-reitora de graduação, Celia Maria Giacheti, destaca a importância da inovação em cursos de graduação e ressalta que a aprovação do curso de língua e cultura chinesas reflete a necessidade de reestruturação e ampliação da oferta acadêmica.

O professor Luis Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio na Unesp, reforça que a graduação consolida a parceria com a China, que completa 18 anos em 2026, e contribui para a diversificação das relações internacionais do Brasil no contexto geopolítico global.

A proposta recebeu apoio da maioria dos 34 diretores das unidades universitárias, sendo aprovada com ampla maioria no Conselho Universitário e apenas cinco votos contrários.