Quem pretende aproveitar o carnaval de 2026 deverá arcar com custos mais elevados para bens e serviços tradicionalmente consumidos durante o período. Levantamento divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) indica que os chamados “itens da folia” ficaram, em média, 8,6% mais caros no acumulado de 12 meses até dezembro de 2025, percentual bem superior à inflação geral do período, que foi de 4,3%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O estudo foi elaborado com base nos dados oficiais do IPCA e analisou a variação de preços de produtos e serviços associados principalmente ao consumo fora do domicílio, comportamento típico durante o carnaval. Segundo a entidade, a chamada cesta de carnaval apresentou aumento médio de 5,6% em 12 meses, refletindo uma pressão concentrada em segmentos específicos da economia.
De acordo com a FecomercioSP, o principal fator por trás desse movimento é o desempenho do setor de Serviços ao longo de 2025. O mercado de trabalho aquecido, aliado à renda disponível em patamar mais elevado e ao consumo ainda resiliente, contribuiu para uma pressão inflacionária mais intensa nesse setor. Em períodos de alta temporada ou em eventos de grande concentração de demanda, como o carnaval, serviços intensivos em mão de obra e com oferta pouco elástica no curto prazo tendem a registrar reajustes acima da média.
Para o assessor econômico da FecomercioSP, Fabio Pina, trata-se de uma pressão inflacionária setorial e sazonal. Segundo ele, não há um aumento generalizado de preços na economia, mas uma elevação concentrada nos serviços ligados ao lazer, à alimentação fora do lar, ao turismo e à mobilidade urbana, impulsionada pela demanda elevada em um intervalo curto de tempo.
Entre os itens que mais contribuíram para a alta, destacam-se os relacionados à alimentação fora do domicílio. O preço do cafezinho registrou aumento de 15,5% em 12 meses, enquanto os lanches ficaram 11,4% mais caros. Bebidas como vinho apresentaram elevação de 10,9%, e o sorvete teve alta de 10,2%, todos índices significativamente superiores à inflação geral do período.
A FecomercioSP aponta que fatores como reajustes de aluguel comercial, aumento dos custos trabalhistas e elevação das tarifas de energia elétrica explicam parte desse movimento. Além disso, a maior disposição dos consumidores a gastar durante o carnaval permite que estabelecimentos pratiquem preços mais elevados de forma temporária, sem que isso esteja relacionado à escassez de produtos ou a problemas na cadeia industrial.
O levantamento mostra ainda que a variação de preços das bebidas alcoólicas difere conforme o local de consumo. Quando adquiridos para consumo doméstico, esses produtos apresentam estabilidade ou até queda de preços. Já em bares, festas, blocos de rua e eventos, os valores tendem a subir de forma expressiva durante o período festivo, em função do serviço agregado.
O grupo de turismo e diversão também registrou aumento relevante, com variação média de 8,2% em 12 meses. Serviços como clubes, hospedagens, casas noturnas e pacotes turísticos concentraram os maiores reajustes. Segundo a entidade, com a ocupação próxima do limite da capacidade instalada no carnaval, os preços são ajustados antecipadamente para captar a maior disposição a pagar dos consumidores.
No segmento de mobilidade urbana, a inflação foi mais moderada, com alta média de 4,6%. O transporte público apresentou aumento de 9,2%, e o estacionamento subiu 6,4%, enquanto os combustíveis tiveram variação de 2,3%, abaixo do IPCA.
Já os itens de vestuário registraram elevação média de 4,2%, índice inferior à inflação geral. A avaliação da FecomercioSP é que a elevada concorrência e as promoções típicas do início do ano tendem a favorecer o consumidor nesse segmento.
Segundo a Federação, embora relevante, a inflação associada ao carnaval permanece concentrada nos serviços ligados ao lazer, ao turismo e à alimentação fora do domicílio. Mesmo com os juros elevados e a desaceleração do consumo no varejo no fim de 2025, a renda disponível mais alta em relação ao ano anterior sustenta o consumo de serviços e pressiona os preços em períodos de grande concentração de demanda, como o carnaval.