A Sessão Solene da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo para entrega do Colar de Honra ao Mérito a diplomatas de Israel transformou-se em celebração pelo retorno dos 251 reféns israelenses sequestrados em 7 de outubro de 2023.
A maior honraria da Alesp foi concedida na segunda-feira (2) ao cônsul-geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich, e à vice-cônsul Gili Vilian, por iniciativa dos deputados estaduais Danilo Campetti (Republicanos) e Gil Diniz Bolsonaro (PL).
Os deputados ressaltaram a defesa de valores humanitários - como a vida, a dignidade da pessoa humana e a liberdade - e a resiliência do povo judeu. Para Campetti, é um desafio manter o compromisso com o bem comum mesmo diante de episódios recorrentes de antissemitismo ao longo da história.
"É nesse ponto que se revela o caráter de uma sociedade, na capacidade de transformar dor em compromisso com a vida, com a verdade e com a justiça", afirmou. O deputado do Republicanos coordena, na Alesp, a Frente Parlamentar em Defesa da União Brasil-Israel e de suas soberanias.
Já o deputado Gil Diniz, que é cristão católico, relatou sua experiência pessoal de ter orado no Santo Sepulcro, espaço protegido por soldados israelenses, para exaltar Israel como uma democracia que garante a liberdade de culto, em contraste com regimes ditatoriais de países vizinhos. Ao celebrar o retorno dos reféns israelenses, o parlamentar salientou que o combate ao terrorismo "é uma luta constante" da comunidade internacional.
Cooperação
Ao agradecer a homenagem, o cônsul-geral afirmou que a honraria simboliza a amizade entre Israel e o estado de São Paulo "que sempre buscou a paz". Ele ressaltou que a relação bilateral vai além da diplomacia formal e se traduz em projetos conjuntos nas áreas de desenvolvimento social, econômico e tecnológico.
Erdreich criticou a guerra de desinformação contra Israel. Segundo o diplomata, campanhas globais financiadas por regimes totalitários utilizam métodos comparáveis à propaganda nazista para deslegitimar Israel, gerando violência real contra comunidades judaicas ao redor do mundo.
Em seu discurso, Gili Vilian destacou a profundidade dos laços entre Brasil e Israel, comparando-os a relações familiares. Ela lembrou experiências de cooperação parlamentar e afirmou que valores como paciência, compromisso de longo prazo e raízes institucionais sólidas são compartilhados pelos dois países.
Gesto civilizatório
Deputados da Frente, como Oseias de Madureira (PSD) e Capitão Telhada (PP), classificaram a solenidade como um gesto civilizatório e de resistência moral. Eles criticaram a lógica da desumanização ao pontuar que nenhuma ideologia ou causa política pode legitimar o uso do corpo humano como instrumento de guerra. Para Oseias, celebrar o retorno dos reféns significa restaurar a continuidade da vida contra a barbárie.
Representantes da comunidade judaica em São Paulo, como a presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Célia Parnes, enfatizaram que o retorno dos reféns, vivos ou mortos, possui significado moral e religioso. Luiz Kignel, da Confederação Israelita do Brasil (Conib), lembrou o princípio judaico de que ninguém deve ser deixado para trás, valor que orientou os esforços de Israel para resgatar todos os sequestrados, mesmo em condições adversas.
Testemunho
A solenidade na Alesp também contou com o depoimento de Hannah Charlier, sobrevivente do Holocausto. Ela nasceu na Bélgica, em 1944, dentro de uma prisão nazista. A sobrevivência foi possível porque a mãe amarrou a criança às costas e a protegeu com o próprio corpo no momento em que os prisioneiros foram levados para o fuzilamento, em uma das cenas mais marcantes relatadas.
"Cada vez que eu conto [minha história], eu me curo um pouco", declarou Hannah.