Os farmacêuticos forenses da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo exercem papel essencial na identificação de substâncias tóxicas, medicamentos, drogas ilícitas e novos compostos químicos usados em crimes. O trabalho auxilia no esclarecimento de ocorrências, na determinação de causas de morte e no apoio às investigações da Polícia Civil, sendo fundamental para a produção de provas técnicas.
Em 2025, o Laboratório de Toxicologia emitiu cerca de 25 mil laudos toxicológicos. Criado em 1933, ele é referência na área e atua principalmente em crimes contra a pessoa. Atualmente, a unidade recebe, em média, entre 200 e 300 amostras por dia, encaminhadas pelo Instituto Médico Legal de diversas regiões do estado. A equipe é composta por 13 peritos criminais farmacêuticos e um médico-legista, com produção média de cerca de 200 laudos mensais por profissional.
Identificação
Com o apoio de um sistema de alerta rápido, uma plataforma do governo integrada, universidades, centros de informação toxicológica e laboratórios especializados comunicam a identificação de novas substâncias em circulação. A partir desse compartilhamento, os laboratórios são informados rapidamente sobre compostos inéditos, como drogas sintéticas e outras substâncias psicoativas.
"À medida que novas substâncias surgem a partir de pequenas variações nas moléculas, é necessário desenvolver métodos capazes de identificá-las. Esse processo é fundamental para que possam ser reconhecidas oficialmente, incluídas na legislação e classificadas como proibidas", explica Raquel Carvalho, farmacêutica e perita criminal do Laboratório de Toxicologia.
O farmacêutico forense atua no desenvolvimento dos métodos utilizados para a identificação das substâncias e na interpretação dos resultados, com base no conhecimento químico e biológico. As análises são feitas a partir de amostras biológicas, como sangue, urina, vísceras e conteúdo estomacal, que permitem avaliar a presença dos compostos e se a quantidade encontrada é tóxica ou proibida por lei.
O trabalho integrado das forças de segurança envolve etapas que vão desde apreensões feitas pela Polícia Militar até a perícia da Polícia Técnico-Científica. Em casos de homicídio, a análise toxicológica pode indicar envenenamento ou outros agentes químicos. Já em situações de intoxicação ou overdose, o laudo é fundamental para esclarecer as circunstâncias e orientar as investigações.