A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) avaliou os resultados da inflação em 2025 como um avanço em relação aos anos anteriores, mas destacou que desafios permanecem. Segundo a entidade, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,26% no ano, dentro do intervalo de tolerância da meta, embora acima do centro desejado pelo Banco Central. Em dezembro, o índice subiu 0,33%, acelerando 0,18 ponto percentual em relação a novembro.
Para a FecomercioSP, a composição da inflação reforça um paradoxo relevante. Enquanto os preços de bens e alimentos mostram desaceleração consistente, o setor de serviços mantém pressão sobre o índice. Em dezembro, transportes foram os principais responsáveis pelo avanço, com transporte por aplicativo registrando aumento de 13,79% e passagens aéreas de 12,61%. “Esses segmentos mostram maior resistência à política monetária e exigem atenção contínua do Banco Central”, afirmou a entidade.
A Federação observa que o setor de serviços tende a reagir mais lentamente ao aumento da taxa de juros, refletindo de forma intensa a força do mercado de trabalho e da demanda interna. Por isso, os serviços continuam sendo o principal foco da política monetária, exigindo prudência nas decisões do BC.
Apesar de o IPCA ter encerrado o ano dentro da meta, a FecomercioSP alertou para os riscos de um corte prematuro da taxa Selic. Segundo a entidade, a persistência da inflação nos serviços pode gerar nova aceleração dos preços nesse segmento mais resistente, com potencial de desancoragem das expectativas inflacionárias e necessidade de reversão do ciclo de juros no futuro.
Além disso, a Federação destacou fatores fiscais que podem pressionar a inflação em 2026. Entre eles estão os efeitos expansionistas de uma Lei Orçamentária Anual mais permissiva, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o volume de gastos fora da meta fiscal, que tendem a aumentar a circulação de recursos na economia.
A FecomercioSP também analisou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda. O indicador registrou alta de 0,26% em dezembro e acumulou 3,71% em 2025, abaixo do observado no ano anterior. No INPC, os transportes tiveram peso relevante no mês, enquanto a queda nos preços da energia elétrica ajudou a conter a inflação no segmento de habitação.
Para a Federação, o balanço de 2025 mostra avanço no processo de desinflação, mas mantém desafios importantes. “A inflação permanece próxima da banda superior da meta. A resiliência do setor de serviços, combinada com uma política fiscal potencialmente expansionista, indica que o índice ainda não está controlado”, disse a FecomercioSP.
Diante desse cenário, a entidade reforça que, sem apoio consistente da política fiscal, o Banco Central enfrentará um quadro mais complexo, podendo manter a taxa de juros ao longo de 2026. A Federação alerta que o acompanhamento rigoroso de setores específicos, como transportes e serviços, será fundamental para evitar pressões inflacionárias adicionais e garantir a estabilidade dos preços no próximo ano.