Por: Ana Laura Gonzalez - SP

São Paulo avança em biometano e lidera transição energética

Atualmente, o estado conta com oito plantas de produção de biometano autorizadas | Foto: Divulgação/Governo de SP

O Estado de São Paulo ampliou a produção de combustíveis sustentáveis, reforçando seu papel na transição energética nacional. Atualmente, oito plantas de biometano operam no estado, produzindo cerca de 500 mil metros cúbicos por dia (m³/dia), com previsão de aumento em 2026.

Outras sete unidades aguardam autorização federal e, quando em operação, poderão acrescentar 257 mil m³/dia, elevando a produção para mais de 700 mil m³/dia até o fim do próximo ano. O biometano é obtido a partir do processamento de biogás e representa alternativa renovável para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) na indústria e no transporte.

No município de Presidente Prudente, o biometano já abastece toda a cidade, proveniente da Usina Cocal e comercializado pela concessionária Necta, após investimento de R$ 12 milhões. Paulínia abriga a maior planta do país a partir de resíduos sólidos urbanos, no Ecoparque da Orizon VR, com aporte de R$ 450 milhões em parceria entre Orizon e Edge, do grupo Cosan.

Essas iniciativas integram políticas estaduais de valorização de resíduos, como o programa Integra Resíduos, que abrange 344 municípios. Atualmente, a matriz energética paulista é formada por 59% de fontes renováveis, superior à média da OCDE (13%) e do Brasil (50%), e 96% da energia elétrica consumida no estado provém de fontes renováveis.

Estudo da Copersucar indica que São Paulo concentra 40% da capacidade instalada de biometano do país e 31% dos projetos em expansão. O potencial de produção pode chegar a 36 milhões de m³/dia, suficiente para substituir integralmente o consumo industrial de gás natural ou 85% do diesel usado no estado. O avanço do setor pode gerar cerca de 20 mil empregos e reduzir até 16% das emissões de carbono no transporte.

O biometano já é usado na produção de fertilizantes, como energia industrial e combustível para transporte de cargas e passageiros. A maior parte da produção vem do setor sucroenergético, aproveitando resíduos da produção de açúcar e etanol, com potencial de 5,5 milhões de m³/dia até 2030.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) regula e fiscaliza a produção, estabelecendo padrões de qualidade e concedendo autorizações técnicas. Atualmente, o Brasil possui 17 plantas autorizadas, sendo oito em São Paulo, metade a partir de aterros sanitários. Outras 42 unidades estão em instalação, concentradas nas regiões Sul e Sudeste.

O governo paulista estabeleceu procedimentos padronizados de licenciamento ambiental, abrangendo atividades agropecuárias, para agilizar autorizações. Em paralelo, a Arsesp abriu consulta pública para definir normas e mecanismos de tarifação para integrar produtores de biometano à rede de distribuição de gás canalizado.

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a InvestSP, lançou o aplicativo Conecta Biometano SP. A ferramenta conecta produtores, comercializadores, prestadores de serviço e instituições financeiras, incentivando novos projetos. Mais de 120 agentes já estão cadastrados.

O estado também firmou parcerias internacionais, incluindo Swedfund (Suécia) e a World Biogas Association, para ampliar a produção e o uso de biogás e biometano, reduzir emissões e desenvolver biofertilizantes a partir do digestato.

Em julho de 2025, a Semil promoveu consulta pública sobre o Certificado de Garantia de Origem do Biometano, instrumento voluntário para fomentar o mercado de atributos ambientais do combustível. Foram recebidas 184 contribuições de 18 instituições.

Com investimentos estimados em R$ 120 bilhões em frotas e novas plantas, e R$ 3 bilhões na expansão de gasodutos, São Paulo projeta consolidar sua posição como líder nacional na produção de biometano e na transição para fontes de energia mais limpas.