Por: Ana Laura Gonzalez - SP

São Paulo registra recorde histórico de cirurgias eletivas no SUS em 2025

Profissional de saúde atua em hospital público de São Paulo | Foto: Divulgação/Governo de SP

O Governo de São Paulo encerra 2025 com o maior volume de cirurgias eletivas já realizado na rede pública estadual de saúde. Ao longo do ano, foram contabilizados cerca de 1,3 milhão de procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), número 85,7% superior ao registrado em 2022. Somados os três primeiros anos da atual gestão, o total chega a aproximadamente 3,5 milhões de cirurgias realizadas no estado.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e indicam crescimento contínuo ao longo do período. Em 2023, foram registrados cerca de 1 milhão de procedimentos eletivos, enquanto em 2024 o volume chegou a 1,2 milhão. Historicamente, o estado realizava em média 700 mil cirurgias desse tipo por ano.

Segundo a pasta, o avanço está relacionado à ampliação da capacidade assistencial, ao fortalecimento da rede hospitalar e à adoção de um novo modelo de financiamento, por meio da chamada Tabela SUS Paulista. Nos últimos três anos, mais de 8 mil leitos foram abertos ou reativados em unidades públicas e conveniadas, o que contribuiu para reduzir filas e aumentar a oferta de cirurgias em diferentes regiões do estado.

Entre os procedimentos com maior crescimento estão as cirurgias oncológicas, cardíacas e oftalmológicas. De acordo com a SES-SP, nos últimos 12 meses foram realizadas 10.753 cirurgias oncológicas, frente a 7.983 em 2022, aumento de 34,7%. As cirurgias cardíacas passaram de 76.481 para 98.382 no mesmo período, alta de 28,6%. Já os procedimentos relacionados ao aparelho da visão cresceram 38%, saltando de 47.479 para 67.708.

As cirurgias eletivas são procedimentos programados, indicados quando não há risco imediato de morte, mas que têm impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. Entre elas estão intervenções ortopédicas, ginecológicas, oftalmológicas, gerais e cardiovasculares, muitas vezes fundamentais para aliviar dores, recuperar funções e evitar o agravamento de doenças.

O secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, afirma que a ampliação dos atendimentos foi possível a partir da modernização dos repasses e do reforço estrutural da rede. Segundo ele, a estratégia permitiu acelerar o atendimento e ampliar o acesso da população aos procedimentos especializados.

Na prática, o aumento da capacidade cirúrgica tem reflexos diretos na vida de pacientes que aguardavam há anos por atendimento. É o caso de Sebastião Luiz da Silva, de 69 anos, morador de Itatinga, no interior paulista. Após conviver por longo período com dores no peito, ele foi diagnosticado com um problema cardíaco complexo e passou a ser acompanhado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu. A cirurgia, inicialmente prevista para um prazo maior, acabou sendo antecipada em 2025.

A Tabela SUS Paulista, criada pela atual gestão estadual, complementa os valores repassados pelo governo federal e permite que hospitais filantrópicos e entidades conveniadas recebam remuneração maior pelos procedimentos realizados. Até setembro deste ano, cerca de R$ 8 bilhões haviam sido destinados a santas casas e instituições parceiras do SUS em todo o estado.

Em agosto, o programa foi ampliado para incluir hospitais municipais, o que deve beneficiar mais de 100 unidades de saúde distribuídas em cerca de 70 cidades paulistas. A expectativa da Secretaria da Saúde é manter o ritmo de atendimentos e ampliar ainda mais o acesso da população aos procedimentos cirúrgicos eletivos nos próximos anos.