Por: Ana Laura Gonzalez - SP

Assembleia debate ações contra avanço do uso de cigarros eletrônicos entre jovens

Evento reuniu entidades que promovem educação | Foto: Gabriel Eid/Alesp

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo sediou, na quinta-feira (27), uma reunião do projeto Municípios Parceiros no Controle do Tabagismo, iniciativa voltada ao incentivo de políticas públicas municipais de combate ao uso de tabaco e nicotina. O encontro, promovido pela deputada Marina Helou (Rede), teve como tema central o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos.

Mantido pela Associação Brasileira de Defesa do Paciente com Câncer (Oncoguia), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e a organização Umane, o projeto busca discutir estratégias de prevenção e enfrentamento ao consumo de produtos derivados de tabaco e nicotina. A iniciativa prioriza o debate em câmaras municipais para a construção de ações educativas em escolas, unidades de saúde, transporte público e outros espaços de comunicação.

De acordo com a presidente da Oncoguia, Luciana Holtz, combater o tabagismo permanece como uma das principais medidas de prevenção ao câncer e a doenças crônicas. “O combate ao tabagismo é um dos pilares mais importantes na prevenção do câncer e de diversas outras doenças crônicas”, afirmou.

A deputada Marina Helou destacou a importância de iniciativas voltadas à proteção de crianças e adolescentes. “Vejo nessas ações um trabalho consistente para proteger a vida das crianças e adolescentes, que hoje estão expostos. Se existem cânceres preveníveis, é nossa obrigação avançar nessa discussão”, disse.

Preocupação com aumento do consumo

O crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens, apesar da proibição de comercialização no Brasil, tem motivado preocupação entre especialistas e gestores públicos. Para a diretora da Umane, Thais Junqueira, o país, que historicamente se destacou no controle do tabagismo, enfrenta um retrocesso. “O Brasil foi líder no controle do tabagismo nos últimos 20 anos, reduzindo em 40% o índice de fumantes. De repente, de cinco anos para cá, esse número começou a crescer, o que é muito assustador”, afirmou.

Com o objetivo de frear essa tendência, o programa da Oncoguia tem promovido a capacitação de agentes públicos para ações de conscientização sobre os riscos associados ao tabagismo e ao uso de dispositivos eletrônicos para fumar. Segundo Luciana Holtz, a atualização das estratégias de controle é essencial. “Se quisermos proteger as novas gerações, é crucial modernizarmos as nossas estratégias. Devemos nos unir para diminuir esse avanço, garantindo políticas públicas compatíveis com a urgência do tema”, afirmou.

Thais Junqueira acrescentou que a comercialização irregular de cigarros eletrônicos reforça a necessidade de medidas mais efetivas. “O fato de os cigarros eletrônicos serem vendidos mesmo proibidos mostra que é preciso agir com urgência, para não retrocedermos em relação às conquistas já alcançadas”, declarou.