Jaguariúna ganhou destaque estadual ao ter o projeto de recuperação florestal do Haras Maripá, na Fazenda Retiro de Santana, reconhecido como referência técnica pela Cetesb. A ação integra o Programa Florestas do Futuro, da Fundação SOS Mata Atlântica, e se diferencia pela unificação de 51 Termos de Compromisso de Recuperação Ambiental (TCRAs), permitindo restaurar uma área antes degradada por pastagens e queimadas.
Resultados acelerados
Mesmo com prazo de até 20 anos previsto para recuperação ambiental, o projeto atingiu os parâmetros exigidos em apenas cinco anos. O avanço foi possível graças ao manejo intensivo, com plantio adensado de cerca de 2.500 mudas por hectare, diversidade de 133 espécies nativas e isolamento da área para impedir a ação do gado. A iniciativa também garantiu a proteção de 11 nascentes, fortalecendo a bacia hídrica local.
O modelo adotado reforça a importância da integração entre técnica, investimento e preservação. "Tivemos, desde o início, um desenvolvimento, com boa evolução. O proprietário fez o cercamento da área, que costuma ser muito custoso na restauração, e isso foi imprescindível para conseguirmos plantar e evitar que o gado avançasse em áreas protegidas dentro da propriedade", destacou Filipe Lindo Silva, da Fundação SOS Mata Atlântica.
Impacto e modelo
Além de recuperar a biodiversidade, o projeto funciona como um cinturão verde, ajudando a conter a expansão urbana desordenada no município. A estratégia de concentrar compensações ambientais em uma única área ampliou os ganhos ecológicos e facilitou a formação de fragmentos relevantes de Mata Atlântica.
"Conseguir dar as condições necessárias para que esses espaços voltem a se transformar em florestas é revigorante. Esse resultado mostra que estamos conseguindo reduzir o tempo necessário para que as áreas em restauração atinjam sua autossustentação", afirmou Tainá Sterdi, coordenadora de restauração florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.
Criado em 2004, o Programa Florestas do Futuro já plantou mais de 1,6 milhão de mudas e restaurou mais de 670 hectares no estado de São Paulo, consolidando-se como uma das principais iniciativas de recuperação ambiental.
Desafios e avanços
Apesar dos resultados positivos, especialistas apontam desafios como custos elevados, resistência de proprietários e impactos das mudanças climáticas. Ainda assim, o modelo adotado em Jaguariúna reforça que, com planejamento e cooperação, é possível acelerar a recomposição florestal e ampliar os benefícios ambientais e sociais.
"Tudo isso só foi possível graças ao compromisso de todos os envolvidos, começando pelos proprietários das áreas e à própria natureza, que, diante de um projeto bem implantado, demonstrou toda a sua resiliência", destacou Rafael Bitante Fernandes, gerente de restauração florestal da fundação.