A identificação de pacientes com a bactéria superbactéria KPC no Hospital Estadual de Sumaré colocou a unidade em estado de atenção ao longo do mês deste mês março. Ao todo, 14 pessoas internadas foram diagnosticadas segundo informou o próprio hospital. Os pacientes apresentam a bactéria no organismo, mas sem desenvolver infecção ativa ou sintomas associados, o que afasta, neste momento, a necessidade de tratamento com antibióticos.
A unidade mantém protocolos de controle para evitar qualquer possibilidade de transmissão. Entre as medidas adotadas estão o isolamento dos pacientes, uso de equipamentos exclusivos durante a assistência, obrigatoriedade de equipamentos de proteção individual (EPIs) pelas equipes de saúde e intensificação dos processos de limpeza e desinfecção hospitalar.
Os casos foram detectados durante exames de rotina realizados na unidade. O hospital também destacou que segue com abastecimento regular de insumos e promove capacitação contínua dos profissionais.
Doença
A KPC, sigla para Klebsiella pneumoniae Carbapenemase, é uma superbactéria conhecida pela sua alta resistência a antibióticos. O microrganismo é capaz de neutralizar medicamentos de amplo espectro, o que dificulta significativamente o tratamento em casos de infecção. Quando evolui para quadros clínicos, pode causar pneumonia, infecções urinárias, respiratórias e até infecções na corrente sanguínea, com maior risco de agravamento em pacientes hospitalizados e mais vulneráveis.
Devido à sua periculosidade, a bactéria foi classificada em 2017 pela Organização Mundial da Saúde como prioridade crítica em sua lista global de patógenos. Essa categorização reforça a necessidade de vigilância constante, uso racional de antibióticos e adoção de protocolos rigorosos de controle de infecção, especialmente em ambientes hospitalares de alta complexidade.
Casos na RMC
Outros episódios recentes na Região Metropolitana de Campinas (RMC) também evidenciam esse cenário de atenção. Em Americana, o Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi confirmou a presença da bactéria em um paciente internado na UTI 1, o que levou à adoção de medidas de contingência.
Já em Campinas, o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti registrou casos mais delicados no início de abril, incluindo a morte de dois pacientes que estavam contaminados com a bactéria. De acordo com a prefeitura, os óbitos não tiveram a KPC como causa direta, mas a presença do microrganismo exigiu reforço imediato nos protocolos de segurança. Atualmente, a rede municipal monitora oito pacientes com infecção, sem registro recente de novas transmissões.
Embora a presença da KPC seja considerada comum em hospitais de alta complexidade, os registros recentes mostram que o controle da disseminação exige resposta rápida e monitoramento contínuo para proteger pacientes e profissionais.
A reportagem entrou em contato com a assessoria do Hospital de Sumaré para obter mais detalhes, mas até o fechamento desta edição, não houve retorno.