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Vereador denuncia desvio de R$ 4,4 mi em Nova Odessa

O vereador André Faganello detalhou gastos públicos e cobrou a apuração das denúncias | Foto: Câmara de Nova Odessa

O vereador André Faganello, de Nova Odessa, trouxe a público na última semana, em suas redes sociais, uma denúncia de que há fortes indícios de irregularidades na execução de obras de calçadas custeadas com recursos públicos no município.

O tema passou a ser apresentado em uma série de oito vídeos divulgados nas redes sociais, nos quais Faganello afirma que mais de R$ 5 milhões teriam sido pagos pela Prefeitura, enquanto apenas R$ 614 mil em serviços teriam sido efetivamente executados. A diferença, de aproximadamente R$ 4,4 milhões, ultrapassa 80% do valor total empenhado.

Denúncia pública

A proposta da série, chamada de "escândalo do concreto invisível", que contou com seu quarto episódio nesse domingo. Segundo o parlamentar, é confrontar os valores pagos com aquilo que realmente foi realizado em cada local. O vereador sustenta que irá apresentar cada obra, apontando o que foi contratado, o que foi pago e o que, segundo ele, não saiu do papel.

A apuração conduzida pelo parlamentar reúne registros de pagamentos e visitas técnicas a diferentes pontos da cidade, onde ele afirma não ter encontrado a maior parte das melhorias previstas.

Além da divulgação nas redes, o vereador fez um apelo para que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e o Ministério Público aprofundem a investigação, e solicitou atenção da imprensa para o caso.

O próprio parlamentar ressalta que a confirmação das acusações dependerá da apresentação de documentos e provas nos próximos episódios. Ainda assim, ele classifica a situação como o "maior esquema de desvio de dinheiro público de Nova Odessa".

Obra questionada

No primeiro episódio da série investigativa, Faganello detalha um trecho de calçadas no Jardim Marajoara, nas proximidades de um condomínio residencial. De acordo com o vereador, a Prefeitura teria desembolsado mais de R$ 412 mil nessa intervenção específica. Questionamentos feitos por ele anteriormente sobre os gastos teriam recebido respostas consideradas evasivas por parte da Administração Municipal.

Segundo Faganello, teriam sido adquiridos 320 metros cúbicos de concreto para o serviço, porém apenas 107 metros cúbicos teriam sido utilizados, o que corresponderia, em sua avaliação, ao desvio de 42 caminhões de concreto. Ele também aponta a compra de 2.480 metros de sarjeta para a praça, embora apenas 161 metros tenham sido substituídos, permanecendo as estruturas antigas no local.

Ainda conforme o vereador, houve pagamento por 12 rampas de acessibilidade e 12 metros de piso tátil, itens que não teriam sido instalados. Apesar de a Prefeitura registrar um custo interno de R$ 86 mil para a obra, o valor pago teria alcançado R$ 412 mil. "Onde foram parar os outros R$ 330 mil", questiona Faganello.

A Administração Municipal informou que irá apurar as supostas irregularidades e o MP já foi comunicado e, de acordo com o Executivo, providências judiciais estão em andamento.