Decisão proferida pela Justiça de Sumaré nesta terça-feira (3) resultou na condenação do vereador Wellington da Farmácia (MDB) a oito anos de prisão em regime inicial fechado pelo crime de corrupção passiva, além da perda do mandato eletivo. A sentença foi assinada pela 2ª Vara Criminal do município e se refere a fatos ocorridos quando ele ocupava o cargo de secretário municipal de Planejamento. Wellington é pai do atual vice-prefeito de Sumaré, André da Farmácia (MDB).
Segundo as investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o então secretário teria utilizado o cargo para dificultar a tramitação e a liberação de alvarás de construção de empreendimentos imobiliários pertencentes a dois empresários. Após o atraso proposital, ele teria exigido pagamentos para viabilizar as autorizações.
Cobrança indevida
De acordo com as apurações, o esquema envolvia duas formas distintas de solicitação de vantagem indevida. Em um dos casos, Wellington teria pedido o equivalente a 2% do valor total das vendas dos apartamentos de um empreendimento ou, como alternativa, a entrega de uma unidade residencial. No segundo episódio, a cobrança teria sido de R$ 5 mil mensais, disfarçados como pagamento de um contrato de locação de galpões.
As investigações apontam que parte das tratativas foi registrada em áudios e fotografias, que indicariam inclusive a atuação de um intermediário ligado ao então secretário. Para o Ministério Público, as provas demonstraram de forma consistente a prática reiterada do crime de corrupção passiva.
O caso levou à deflagração da Operação Tributo Oculto, em 10 de junho de 2022. Com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), a Justiça autorizou o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão.
Já na residência e na farmácia do investigado, os policiais encontraram R$ 157 mil em dinheiro, sendo R$ 95 mil na casa e o restante no estabelecimento comercial. Durante a ação, o Ministério Público relatou que Wellington tentou ocultar parte do dinheiro em mochilas de crianças que se preparavam para ir à escola. Além do valor em espécie, foram apreendidos documentos, computadores e dispositivos de armazenamento.
Nas alegações finais, apresentadas em outubro de 2025, os promotores do Gaeco solicitaram a condenação do réu por corrupção passiva em dois episódios distintos, a fixação do regime inicial fechado, a perda do cargo público e o confisco dos bens apreendidos, como dinheiro, celulares e notebooks.
Defesa
Eleito vereador em 2024 com 2.249 votos, Wellington da Farmácia foi o sexto candidato mais votado daquele pleito e atualmente preside o diretório municipal do MDB. A defesa, representada pelo advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho, informou que irá recorrer da decisão ao Tribunal de Justiça de São Paulo.